Star Live

Tratamento rápido e preciso do AVC é foco de encontro

Curso tutorial sobre atendimento ao AVC Isquêmico é uma iniciativa do Hospital Geral de Fortaleza (HGF)

Profissionais da saúde se reuniram no Hotel Gran Marquise, nessa sexta-feira, no primeiro dia do Star Live, curso sobre atendimento ao AVC ( Foto: Reinaldo Jorge )
01:00 · 28.04.2018

Quanto mais rápida e precisa a tomada de decisão no atendimento a um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI), menores serão as taxas de letalidade e de sequelas aos pacientes acometidos com essa enfermidade. O processo envolve o gerenciamento de várias etapas que vão do reconhecimento clínico à investigação neurológica, até a intervenção endovascular.

Nessa perspectiva, diversos profissionais da saúde se reuniram no Hotel Gran Marquise, nessa sexta-feira, no primeiro dia do Star Live, curso tutorial sobre atendimento ao AVC isquêmico, que vem abordando os mais recentes avanços na assistência a pacientes com a doença, desde a avaliação inicial até a fase final. O curso é uma iniciativa da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade referência em todo o País no tratamento da doença.

No evento, que também acontece no decorrer do sábado, os participantes têm como foco as análises indispensáveis para a correta tomada de decisão em cada etapa da assistência ao AVC, tendo como base a discussão sobre casos clínicos reais, em sua maioria, de pacientes atendidos no HGF.

"O AVC hoje é um dos problemas de saúde pública mais relevantes. No Ceará temos um AVC a cada 20 minutos e uma morte por hora, então a gente precisa atacar esse problema de frente e de duas formas. Uma delas é a prevenção e a outra é o tratamento efetivo para que o paciente retorne a sua independência e para isso você tem que ser rápido", destaca Francisco Mont´Alverne, médico neurologista do HGF e à frente do Star Live.

Segundo explica, a resposta mais efetiva do tratamento na grande maioria dos pacientes acontece durante a primeira hora após o início dos sintomas, por isso a rapidez na assistência é primordial. "A medida que o tempo vai passando você tem mais dificuldades. Então o objetivo do curso vem dessa problemática, de que é uma doença grave e que você precisa ser rápido no tratamento. Como a tomada de decisão envolve poucos minutos você tem que estar com a estrutura organizada na cabeça para poder pensar rápido e agir rápido. O que a gente quer com esse curso é transferir o conhecimento acumulado ao longo de dez anos de experiência na Unidade de AVC do HGF para todos os participantes que lidam com o AVC em qualquer lugar em que ele esteja", diz Mont´Alverne.

Avanço

A ampliação da janela de tratamento para até 24 horas após o início dos sintomas, para alguns tipos de pacientes, trata-se do maior avanço no tratamento dos últimos dois anos, segundo o neurologista. Nestes casos, mesmo após decorrer tanto tempo, explica ele, é possível avaliar por meio de técnica de imagens avançadas a funcionalidade do cérebro e, assim, tratá-lo. Segundo o médico, no entanto, isso não isenta a necessidade da busca por atendimento o mais rápido possível. "Em algumas circunstâncias alguns pacientes podem suportar até 24h por uma característica própria deles, mas para todo mundo quanto mais rápido procurar atendimento melhor", afirma.

Outro avanço na assistência, de acordo com o coordenador do programa de AVC do HGF, João José Carvalho, diz respeito a descoberta de nova medicação capaz de dissolver o coágulo no cérebro fazendo com que o sangue volte a circular. Já no entupimento de artérias maiores, esclarece o médico, o tratamento endovascular - em que a desobstrução do vaso sanguíneo acontece por meio de um cateter - aparece como outra inovação importante no sucesso do tratamento. "Ficamos muito felizes de poder oferecer essas opções. Hoje temos a maior unidade de AVC do Brasil. São 20 leitos monitorados e nós oferecemos 24 horas por dia, sete dias na semana, os mais modernos meios de tratamento do AVC para qualquer paciente que chegue lá". Ainda conforme o neurologista, contudo, 92% dos casos da doença decorrem de doenças preveníveis, devendo-se ter controle sobre os fatores de risco, entre eles, a pressão alta, o fumo, obesidade, o colesterol elevado, a diabetes, o uso abusivo de bebidas alcoólicas, a obesidade e o sedentarismo.

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