Taxista é principal agenciador - Cidade - Diário do Nordeste

EXPLORAÇÃO SEXUAL

Taxista é principal agenciador

19.05.2009

Pesquisa sobre a Exploração Sexual Infanto-Juvenil no Turismo busca estimular políticas públicas

Pesquisa sobre a Exploração Sexual Infanto-Juvenil no Turismo de Fortaleza constata que 57,4% das crianças e adolescentes explorados sexualmente são do sexo feminino, enquanto 42,6% são do sexo masculino. Também aponta que nesta faixa etária o problema acontece com maior freqüência aos 17 anos (45%) e, que o taxista aparece como um dos principais agenciadores.

Estes são apenas alguns dos dados da pesquisa que a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) divulgou ontem, na data em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O estudo derruba conclusões de pesquisas anteriores, de que esse tipo de violência seria relacionada às questões de gênero. “Crianças e adolescentes de ambos os sexos são vítimas desse tipo de violação dos direitos humanos”, assevera a coordenadora da pesquisa, a assistente social Paula Fabrícia Brandão.

Causas

Realizada entre 2007 e 2008, a pesquisa da Setfor buscou dimensionar e contextualizar as causas da exploração sexual de crianças e adolescentes, ligadas à atividade turística de Fortaleza. “O objetivo foi ajudar na formulação de políticas públicas de enfrentamento da problemática”, adianta Paula Fabrício.

Merece ser ressaltada, também, a preocupação em identificar o perfil do explorador e de suas vítimas, assim como dimensionar o tamanho da rede de exploração sexual comercial de crianças e adolescentes nessa atividade.

Segundo a gerente de pesquisa em informação e coordenadora do Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Setfor, Luiziania Gonçalves, foi inicialmente mapeado o corredor turístico da cidade. Contudo, além da orla — da Barra do Ceará à Praia do Futuro —, o estudou incluiu os bairros da Serrinha e Lagamar. Isso em função da proximidade desses bairros com áreas onde os turistas transitam, vindo ou indo do aeroporto à orla marítima da cidade, onde se concentra a rede hoteleira.

O estudo foi realizado com jovens, com idade de 12 a 18 anos incompletos. Também foram entrevistados ambulantes, guias de turismo, donos de bares, boates, mototaxistas e taxistas, dentre outros.

Os motivos e os caminhos para a entrada de crianças e adolescentes na exploração sexual são os mais diversos, com destaque para a ilusão de que poderão adquirir bens de consumo. Quanto ao perfil do explorador, crianças e adolescentes disseram que o cliente que mais os procura é o turista estrangeiro (50,7%); 23,2%, o morador local ,e 22,5%, o turista nacional.

O turista estrangeiro que mais explora sexualmente as crianças e adolescentes, em Fortaleza, é oriundo, em grande parte, da Europa, representando um total de 69,5%. Enquanto que o valor médio cobrado por programa varia entre R$ 30,00 a R$ 50,00.

Os taxistas da cidade foram considerados pelos entrevistados como os maiores influenciadores e intermediadores da prática da exploração sexual de crianças e adolescentes.

PRAÇA DO FERREIRA
Conscientização para proteger crianças e adolescentes

Para marcar a data de luta contra a violência sexual a crianças e adolescentes, a Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci) e Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual promoveram, ontem à tarde, uma passeata pelas ruas do Centro, além de um show na Praça do Ferreira, com a arte-educadora Helena Damasceno e o grupo “Palavra Cantada”.

Com o tema “Vire o jogo. Violência sexual: não é uma escolha, nem é normal”, integrantes de movimentos sociais, crianças e adolescentes, movimentaram a Praça do Ferreira. Os meninos e meninas distribuíram panfletos e participaram de apresentações artísticas. A secretária do Fórum, Lídia Rodrigues, destacou que esse tipo de ato é importante para chamar a atenção da sociedade. “Nós temos que expor o problema, colocar o assunto em pauta”, explica. Ela afirmou ainda que, além de shows, apresentações e panfletagens, o movimento está realizando ações de conscientização.

A representante da Secretaria de Turismo de Fortaleza, Luiziana Gonçalves, destacou que um trabalho sério vem sendo realizado desde 2005. Segundo ela, é preciso que o setor do turismo seja envolvido e aceito para lidar com essa questão, não sendo responsabilidade somente do setor da assistência social. “Nós estamos atuando bastante na prevenção e conscientização, mas temos que chegar mais perto para trabalhar com o combate”.

A presidente da Funci, Glória Diógenes, afirmou que Fortaleza é a primeira cidade do País em denúncias e comemorou o fato. “É sinal que o fortalezense não está mais tolerando a violência”. Ela enfatizou a importância de denunciar porque, a cada ligação, uma estrutura é ativada para tirar as vítimas daquela situação.

Mozarly Almeida
Repórter


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