20 anos depois

Serviço terá 'mototaxímetro'

Regulamentada desde 2007, atividade do mototaxista quer unir tecnologia e preço justo para usuários

Vinte anos depois da legalização do serviço, alguns problemas ainda persistem, como a falta de 'mototaxímetro', a ausência de novas concessões e, agora, a disputa com aplicativos em smartphones, avalia a categoria ( Foto: Helene Santos )
01:00 · 20.03.2017 por João Lima Neto - Repórter

Há duas décadas, os mototaxistas iniciavam os primeiros buzinaços pela legalização do transporte público por motos em Fortaleza. A regularização só ocorreu em 1997 e os problemas na prestação do serviço ainda permanecem em 2017. A falta de um "mototaxímetro", a ausência de novas concessões e, atualmente, a disputa com serviços de aplicativos em smartphones estão enfraquecendo a atividade na Capital, avalia a categoria.

Diferentemente do e táxi, em que o usuário telefona para uma cooperativa, aciona um aplicativo ou estende a mão em via pública, quem tenta pegar um mototáxi, não encontra o serviço com facilidade. Os permissionários até ganharam alguns espaços fixos em praças públicas e áreas próximas a shoppings, mas a dificuldade para encontrar um mototáxi ainda é real.

Segundo o presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Fortaleza (Sindimotofor), Valteclar Vieira, há quatro anos, o serviço tinha 2.211 motos circulando nas ruas. Neste ano, o número não alcança a marca de 1,5 mil motocicletas nas vias.

O presidente conta que a categoria já pleiteou, por diversas vezes, o aumento de vagas, mas sem sucesso. "Na última audiência da Câmara de Vereadores, pedimos 800 vagas, mas nada saiu do papel". Ainda de acordo com Valteclar, houve uma queda de 40% no serviço, devido a intervenções na área do transporte público, como a implementação das faixas exclusivas de ônibus. "Por mais que sejam lotados, os usuários estão preferindo pegar ônibus por conta das faixas exclusivas. Já quem anda de moto tem um perfil diferente de quem anda de Uber, mas houve uma queda nas corridas, pois os valores se assemelham em algumas regiões".

Vagas

Conforme a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), atualmente, 2.209 motociclistas são autorizados a prestar o serviço de transporte público individual na Capital. O órgão informou que, para aumentar o número de permissionários, é preciso que haja uma licitação, mas não há definição sobre essa possibilidade em 2017. A habilitação para operar mototáxi é feita por meio de licitação ou conforme deliberações da Lei Nº 8.004, de 25 de março de 1997, que regulamenta o serviço.

Segundo o Prefeito Roberto Cláudio, uma das demandas dos mototaxistas, atendida no ano passado, foi a construção de abrigos de apoio nas principais vias da cidade. "Eles pediram os pontos em 40 áreas da cidade e estamos fazendo. O serviço cumpre o papel de transporte alternativo de baixo custo à população", declarou o prefeito.

Mototaxímetro

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Com o intuito de oferecer melhor serviço aos usuários do modal, o Sindimotofor vai começar a utilizar um aplicativo de "mototaxímetro" na Capital. Segundo o presidente da entidade, Valteclar Vieira, o serviço está ficando inviável sem uma referência de preço. "A ideia é dar mais comodidade e um preço justo ao usuário. Tanto o motoqueiro quanto o cliente vão poder ver o valor da corrida no celular", detalha.

O sistema será apresentado na Câmara Municipal de Fortaleza e deve ser testado ainda em março. Segundo Valteclar Vieira, já existe uma tabela de preços a ser seguida, mas o serviço passará por apreciação dos vereadores para possíveis reajustes.

O aplicativo levará informações acerca de preço, tempo e melhor percurso para o usuário. "Ele é parecido com o aplicativo do Uber, mas o valor deve ser fixo. Falta assinar um documento do convênio com a empresa que está produzindo o sistema", explicou Valteclar.

Questionado sobre a utilização do serviço por uso de aplicativo, o prefeito Roberto Cláudio declarou apoio à iniciativa, visto que o transporte por mototáxi é regulamentado por lei. "Todo aplicativo em serviços legais, como táxi, mototáxi e ônibus, que facilitem a vida do usuário, é sempre bem-vindo. A diferença é nos aplicativos não regulamentados. Há uma distinção. Os próprios táxis usam o Easy Taxi, o 99Taxis e do próprio Sindicato. Vejo como uma boa saída", disse o gestor.

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