Sal em excesso pode causar problemas à saúde - Cidade - Diário do Nordeste

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Sal em excesso pode causar problemas à saúde

28.10.2006

Criança e adolescente não resistem a um salgadinho. Pior: muitas vezes substituem as principais refeições por alimentos processados que, ao longo do dia, podem exceder a quantidade de sal e sódio de que o organismo necessita. Mas o problema não é só esse. Engana-se quem pensa que o sódio encontra-se só em alimentos salgados.

Sucos, achocolatados e derivados de leite armazenados em caixinhas contêm a substância em sua composição, o que merece atenção especial na hora do consumo infantil e da compra — olhar o rótulo nunca é demais. É que o excesso de sódio e de sal pode causar problemas renais e hipertensivos também em crianças.

No Brasil, a hipertensão primária atinge de 0,8% a 8,2% das crianças e adolescentes. Porém, crianças com amamentação exclusiva até os seis meses apresentam níveis “significativamente mais baixos” de pressão arterial na infância, segundo a 1ª Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e Adolescência.

De acordo com a nutricionista Maria Isabela Ribeiro Sampaio, as doenças tendem a aparecer, principalmente, em quem tem histórico familiar prevalente das patologias. Mas isso não é regra, e as patologisas podem surgir independente de histórico familiar.

O excesso normalmente está associado à sede, retenção de líquidos e aumento da pressão arterial. Na infância, os aspectos podem até não ter grande repercussão. Porém, a longo prazo, podem transformar-se em insuficiência cardíaca ou doença renal crônica.

O controle para evitar as doenças, como informa Isabela Ribeiro, começa evitando-se temperos completos na comida de crianças, embutidos, enlatados, conservas, frituras e, claro, o próprio sal em excesso. “Apesar de a quantidade grande ou pequena de sal na dieta da criança não influenciar no seu desenvolvimento, essa preocupação deve ser constante, para evitar doenças futuras”, alerta.

A nutricionista lembra que os vilões da questão não são apenas os salgados. Há alimentos que aparentemente não têm sal, mas a quantidade de sódio pode ser prejudicial à criança. Isso vale para sucos e achocolatados de caixinhas. “Com as crianças e adolescentes cada vez mais comendo fora, isso se torna mais perigoso”, avisa.

Conforme orienta a nutricionista, o sal deve ser introduzido na alimentação infantil a partir de um ou dois anos de idade, moderadamente. “Sucos, frutas, tudo pode ter um pouquinho de sódio. Direta ou indiretamente, a criança já consome a substância, por isso a introdução deve ser bem lenta mesmo. Porque uma coisa é certa: é quase impossível, mesmo sem consumir sal, a criança ter deficiência de sódio”, afirma.

Segundo a 1ª Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e Adolescência, são recomendados até seis gramas de sal por dia, o que corresponde a 2.400 miligramas de sódio diariamente. Porém, o consumo médio do brasileiro é de 12 gramas por dia de sal. Para crianças e adolescentes com pré-hipertensão ou predisposição para a doença, a recomendação é de menos de seis gramas por dia.

A Diretriz reforça que a redução do consumo de sal na infância tem repercussão direta na adolescência.

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