bom jardim

Representante da União Europeia visita ONG

A visita teve por finalidade a verificação do andamento do projeto de prevenção às drogas "Sim à Vida"

Durante a visita da representante da União Europeia, houve um momento de reflexão com participantes do projeto ( Foto: José Leomar )
01:00 · 14.08.2018 por André Costa - Repórter

Criado há 22 anos, com o objetivo de acolher e promover o desenvolvimento de pessoas com problemas psicológicos, psiquiátricos e com imersão às drogas, o Movimento Saúde Mental Comunitária (MSMC), sediada no bairro Bom Jardim, em Fortaleza, recebeu, ontem (13), a visita da gestora operacional do setor de cooperação da delegação da União Europeia no Brasil, Maria Cristina Araújo von Holstein-Rathlou. A visita teve por finalidade a verificação do projeto de prevenção às drogas intitulado "Sim à Vida", desenvolvido pelo MSMC e cofinanciado pela União Europeia (UE).

> Carinho e atenção ajudam na cura

A gestora elogiou a eficácia da metodologia utilizada pelo projeto, considerou o Movimento pioneiro no Brasil e destacou que ele "serve como modelo para outros projetos sociais". Ainda conforme avaliação de Cristina Araújo, a atuação multidisciplinar do projeto e a preocupação de reinserir e recuperar não somente estas pessoas, mas também seus familiares, "é um dos pontos valorosos do Movimento e que merece grande destaque".

Mentor do MSMC, o psiquiatra e padre Rino Bonvini, destaca a Abordagem Sistêmica Comunitária (ASC), metodologia utilizada pelo Projeto, cuja tecnologia prima pela inclusão das pessoas acolhidas, família e comunidade. "A inserção da pessoa com algum transtorno, quando envolve família e a comunidade, favorece a reorganização e o reequilíbrio, bem como seu pensar como pessoa", explica o missionário comboniano - instituto religioso da Igreja Católica, dedicado à evangelização dos povos.

Rino Bonvini enfatiza ainda as ações de múltiplo impacto que englobam arte, música, espetáculo, elevação da autoestima, terapia comunitária, expressões corporais e terapias complementares como massagem, reiki e biodança.

Movimento Social

Criado no ano de 1996, "com o intuito de reunir pessoas e construir projeto de saúde mental na periferia de Fortaleza", a ONG acolhe cerca de três mil pessoas por mês. O movimento desenvolve diversos projetos, dentre eles, o "Sim à Vida", voltado para a prevenção de drogas e cofinanciado pela UE desde 2015.

O projeto reúne crianças e adolescentes com idade entre sete e 14 anos, e seus familiares, com momentos de autoconhecimento e autoestima. "A visita da gestora da União Europeia é importante também para que ela possa atestar a eficiência do projeto. O financiamento termina em fevereiro do próximo ano e estamos em processo de negociação para prorrogar este período de financiamento", pontua padre Rino.

Cristina von Holstein-Rathlou reconhece que os objetivos do projeto estão sendo cumpridos, bem como a ONG está encaixada dentro das diretrizes requisitadas pela UE, no entanto, ressalta que a ampliação do período de incentivo depende da concorrência de novos editais, que serão abertos ainda neste ano.

"A ONG desempenha atividades pioneiras e de extrema importância para sociedade. Isto é um fato. Mas a renovação do incentivo ocorre através de editais. Entretanto, é válido ressaltar que o incentivo da União Europeia também é no sentido de que as ONGs consigam se desenvolverem após este período, com apoio de parceiros locais", observa a gestora.

Para o religioso, o prorrogamento do cofinanciamento é vital para a manutenção do "Sim à vida". "Hoje o projeto não consegue caminhar sozinho. Sem esse apoio da União Europeia fica inviável. Mas estamos otimistas numa continuidade do incentivo", acrescenta Rino.

Atualmente, são atendidas quase 1.500 pessoas somente no "Sim à vida", dentre as quais 450 são crianças. "Atendemos 30 crianças pela manhã e 30 a tarde, durante cinco dias da semana. Para além do acolhimento, os familiares dessas crianças que são identificadas com algum problema social ou de saúde mental são encaminhadas para a Regional V de Fortaleza e Maracanaú", complementa o advogado do "Sim à Vida", Elizeu de Sousa.

As crianças, conforme padre Rino Bonvini, são atendidas com atividades lúdicas e sociais, e seus familiares, recebem cursos profissionalizantes.

Expansão

A gestora da UE, Cristina Araújo, e padre Rino Bonvini compartilham da mesma opinião no que tange à expansão do projeto. Os dois avaliam que a metodologia pioneira utilizada na ONG "pode ser replicada em outros bairros de Fortaleza e disseminada também em projetos afins de outros centros". Para a viabilizar a ampliação, acrescenta Cristina, "é importante que órgãos públicos e empresas tornem-se parceiros do Movimento" que hoje possui 14 equipamentos: seis gerais, seis AD (atenção às pessoas com problemas no uso de álcool, crack e outras drogas) e mais destinados ao público infantil.

São oferecidos cursos de Abordagem Sistêmica Comunitária, Terapia Comunitária, Prevenção à Dependência Química e Saúde Mental. O Movimento também trabalha com Terapia da Autoestima e Massoterapia, além de iniciativas como a Horta Comunitária, Telecentro Comunitário do Bom Jardim e Centro de Aprendizagem do Bom Jardim. A ONG, que conta com profissionais de diversas formações acadêmicas, cuida também de uma Residência Terapêutica.

Carinho

O lar, de dez moradores e 24 cuidadores, surgiu com o intuito de desinstitucionalizar a predominância dos hospitais psiquiátricos. "Não se trata apenas com remédio e exames. Essas pessoas precisam de carinho, de atenção. Elas precisam se sentirem úteis novamente, importantes para sociedade. Costumo dizer que dando amor, muito ou quase tudo pode ser curado", finaliza o missionário comboniano padre Rino Bonvini.

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