Remédio ilegal é vendido em praças públicas - Cidade - Diário do Nordeste

PARA DISFUNÇÃO ERÉTIL

Remédio ilegal é vendido em praças públicas

28.06.2009

Contrabandeado do Paraguai, o Pramil é uma cópia do Viagra que não oferece nenhuma segurança no consumo

De um lado, idosos de baixa renda com supostamente problemas de disfunção erétil. Do outro, o contrabando que alimenta a ilegalidade e o risco à saúde. A venda de medicamentos clandestinos, principalmente para problemas de ereção, invadiu as praças públicas em Fortaleza.

Em plena luz do dia, é possível comprar medicamentos contrabandeados, ilegais, com possibilidade de serem falsificados, como o Pramil, na Praça da Igreja da Parangaba e na polêmica Praça da Lagoinha, no Centro da cidade. Proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2002, o Pramil é uma cópia do Viagra, pois utiliza a mesma droga sildenafil.

O Diário do Nordeste flagrou a venda do medicamento Pramil indicado para disfunção erétil e comprou três “pílulas azuis” por apenas R$ 10,00 na Parangaba, quando nas farmácias medicamentos com a mesma função, como Viagra, Cialis, Levitra e Helleva variam de R$ 20,00 a R$ 250,00.

O ponto de venda do medicamento existe há cerca de oito anos e abastece o público idoso que freqüenta o restaurante popular do bairro. Além de comercializar fracionadas as “pílulas do amor”, como são chamadas por eles, o negociador ainda dispõe de uma outra pílula alternativa, também de origem paraguaia, na cor verde, mas que não tem nenhuma identificação impressa.

Trata-se de uma modalidade mais barata, mas que, assim como o Pramil azul, o verde não oferece nenhuma segurança, já que o medicamento é ilegal.

As vendas aos idosos acontecem entre 10h e 14h, que é justamente o horário de funcionamento do restaurante. Alheios ao risco que isso representa, os idosos consomem o medicamento ilegal em busca do retorno da qualidade de vida sexual. Enquanto esteve no local, entre 10h 30 e 11h15, a reportagem presenciou pelo menos quatro idosos comprando o medicamento, cuja unidade custa cerca de R$ 4,00, no banco da praça na Rua Sete de Setembro.

É o próprio negociador quem ensina o cliente como utilizar o Pramil. Depois de 30 minutos, conforme ele, o medicamento já faz efeito.

Riscos

Segundo a coordenadora do Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), professora Mírian Parente, que faz parte do Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Medicamentos (GPUIM), da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Pramil não é uma falsificação do Viagra, mas um medicamento contrabandeado do Paraguai, país vizinho.

“A questão é ser ilegal no País. Todo medicamento que entra no Brasil, entra via Anvisa. Até que se tenha um laudo oficial da qualidade dele, a única coisa que se pode dizer é que é ilegal. É preciso submetê-lo a testes farmacêuticos para avaliação da sua qualidade”, ressaltou Mírian Parente.

O problema do consumo do medicamento contrabandeado, conforme ela, é o fato de não oferecer segurança nenhuma para quem está tomando. “Supõe-se que os efeitos do Pramil sejam os mesmos do sildenafil, pode causar as mesmas adversidades e estar sujeito às mesmas recomendações que o original. Mas, se é ilegal e vendido como contrabando, não se sabe realmente o que há na constituição do comprido. Qualquer pessoa de bom senso se perguntaria porque um custa 50, 100, 200 reais, e outro apenas R$ 10,00. Alguma coisa não está certa. Está bem claro isso”, destaca a coordenadora do Centro de Informações.

Para ela, a venda de medicamentos proibidos é uma questão de Vigilância Sanitária e de polícia, a partir do momento em que é um contrabando. “Se fosse legal, seria vendido normalmente”, disse.

Ela explica que, como os idosos tomam o medicamento sem nenhuma orientação, estão duplamente expostos. “Os medicamentos para disfunção erétil são voltados para uma população de faixa etária mais avançada, quando os problemas cardiovasculares são mais freqüentes. Essas pessoas estão duplamente expostas por estarem tomando medicamento sem nenhuma qualidade e também pelos riscos inerentes à própria substância”, finaliza.

PAOLA VASCONCELOS
Repórter

FIQUE POR DENTRO
Venda só pode acontecer em farmácias e drogarias

Segundo a legislação sanitária brasileira vigente, medicamentos só podem ser vendidos em estabelecimentos farmacêuticos devidamente regulados em órgãos de fiscalização, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselhos Regionais de Farmácia (CRF) e as Vigilâncias Sanitárias locais.

Todo estabelecimento ou pessoa física que atue no mercado e não se enquadre nestas regras são considerados ilegais.

A Anvisa e Polícia Federal constantemente atuam no combate a falsificações e vendas de medicamentos pela Internet. No último dia 06 de junho, a operação denominada Virtua Pharma, foi realizada simultaneamente em nove estados, incluindo o Ceará, onde houve apreensão de remédios sem registro no Ministério da Saúde e na prisão de uma pessoa.

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999