resgate da cidadania

Projeto busca alfabetizar adultos

Os alunos aprenderão as técnicas para a leitura e escrita, como também as quatro operações fundamentais

00:00 · 17.01.2016 por Karine Zaranza - Repórter
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Apesar dos avanços alcançados em uma década pelo Estado, com a diminuição em 25% do analfabetismo, muitos adultos ainda não sabem ler e escrever e têm agora mais uma oportunidade de frequentar a sala de aula ( FOTO: HONÓRIO BARBOSA )

Unir as letras e formar palavras podem significar muito mais que simplesmente escrever um bilhete para o filha. Para a empregada doméstica Ângela Maria da Silva, 37 anos, representa uma mudança de vida. Aos sete anos, ela veio de Morada Nova para trabalhar em casas de família e o tempo de aprender a ler e escrever foi substituído pelas obrigações domésticas. Adulta, engravidou e guardou na gaveta o sonho de escrever as palavras.

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Apoiada pela filha Vitória, hoje com 12 anos, ela se inscreveu no "A Senda do Despertar: Alfabetização de Jovens e Adultos", que acontecerá em breve, das 18h30 às 20 horas, às terças-feiras, na Biblioteca Dolor Barreira. O projeto social, idealizado pela teóloga com formação em educação de jovens e adultos Élida de Matos, leva para um ambiente diferente da sala de aula a oportunidade da alfabetização.

"Encontramos muita resistência. Acredito que pela vergonha. Estamos divulgando desde dezembro o projeto e esperamos as inscrições para começar". Os alunos aprenderão as técnicas para a leitura e escrita, como também as quatro operações fundamentais: somar, diminuir, multiplicar e dividir. "Tenho muita vontade de ler e escrever. Me sinto muito constrangida porque tenho que pedir minha filha para ler as mensagens de whatsapp que recebo, ou de não poder ajudar nas tarefas do colégio dela. Mas eu quero muito poder escrever "eu te amo", "estou com saudades", "como você está?". São coisas que mudam a vida das pessoas", destaca Ângela.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados em novembro do ano passado, mais de um milhão de cearenses ainda não sabem ler nem escrever. Apesar dos avanços alcançados em uma década - o Ceará reduziu em cerca de 20,5% o analfabetismo - muitos ainda se escondem atrás do um mundo sem letras.

Em 2014, conforme a Pnad, cerca de 1.173.000 pessoas no Estado, com 10 anos de idade ou mais(15,43% do total) não apresentavam ou possuíam menos de um ano de instrução. Já o analfabetismo funcional ( população com até 4 anos de instrução), atinge 2.688.000 pessoas.

Com a municipalização do Programa Brasil Alfabetizado (PBA), do Ministério da Educação (MEC), cada município é responsável pela alfabetização de jovens e adultos. Em Fortaleza, a Secretaria Municipal de Educação não possui dados que mostrem quantos adultos são analfabetos. Contudo, o órgão afirma que possue 85 polos de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Aprovação

Os polos possuem cinco modalidades (EJA 1 a EJA 5). A EJA 1 e a EJA 2 são responsáveis pela alfabetização de alunos acima de 15 anos. Em 2014, as duas modalidades aprovaram 2.568 alunos. Em 2015, 2.483. O coordenador do Ensino Fundamental de Fortaleza, Carlos Eduardo Araújo, explica que o perfil desses estudantes é de quem já está no mercado de trabalho e já teve uma passagem pela escola.

Ele reconhece que o maior desafio é superar a evasão escolar. "O mais difícil não é inserir o adulto na alfabetização e sim fazer com que ele permaneça. E, nesse contexto, a sala de aula precisa ser interessante".

Mais informações:

Biblioteca Municipal Dolor Barreira Av. Da Universidade, 2572, Benfica. Inscrições: 3105.1299/ 98138.3754.

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