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Precariedade agrava quadros clínicos

Nova nota de protesto de profissionais da unidade ressalta a falta de material para o tratamento de pacientes

00:00 · 11.05.2015
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Associação dos Médicos do HGF denuncia que a UTI neonatal e obstetrícia não tem condições de absorver nenhum paciente. Além disso, acompanhantes relatam dramas vivenciados por pessoas internadas no hospital ( FOTO: KIKO SILVA )

Falta de luvas, seringas e gazes. Carência de anestésicos, antibióticos e analgésicos. UTIs lotadas. Equipes multiprofissionais incompletas e cirurgias eletivas ameaçadas. Eis o diagnóstico da atual condição de funcionamento do Hospital Geral de Fortaleza exposto pela Associação dos Médicos da unidade (AME/HGF). Os profissionais avaliam que as precariedades têm contribuído para agravar o quadro clínico de pacientes. Ainda assim, a ordem da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) é continuar a realização dos procedimentos.

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"Já estava extremamente complicado e ficou pior com o corte de 20% nos valores de custeio do Hospital neste ano", explica o médico ginecologista presidente da AME/HGF, Jaime Benevides. A atual condição é considerada insustentável pelos profissionais da unidade e, conforme o médico, não atinge setores específicos, mas sim, as UTIs adultas e neonatais, emergência, obstetrícia e cirúrgica.

Segundo Jaime, além dos pacientes internados nos corredores, a UTI neonatal da unidade e obstetrícia "não tem condições de absorver nenhum paciente". Para realizar uma cirurgia durante a semana, o médico revela que teve que solicitar um tipo específico de soro a um hospital da rede privada. "Pedimos a outros hospitais para não pararmos, e a decisão de continuar atuando desta maneira é muito arbitrária", avalia.

As precariedades, que é referência no atendimento de alta complexidade no Estado, são reiteradas por uma enfermeira que atua no HGF e que preferiu não ser identificada. Ela garante a veracidade da falta de insumos básicos e de medicamentos. "A nova gestão do Hospital é muito responsável e compartilha com os médicos esta indignação. Mas estamos no limite", relata.

Pacientes

Parentes de pacientes também reafirmam, nesse domingo, os dilemas vivenciados na unidade. Para o atendente de panificadora, George Lima Lopes, o drama começou há três dias, quando seu pai, de 47 anos, deu entrada no hospital com fortes dores em decorrência de problemas renais. "Ele já foi diagnosticado com o problema, mas precisa fazer uma tomografia para que seja detectada especificamente o tamanho das pedras nos rins. Mas como o tomógrafo está quebrado avisaram que ele será levado para outro hospital para fazer o exame e só então ele fará a cirurgia", conta.

Para a doméstica Eliane Martins da Costa, a situação, hoje, é "mais tranquila", já que seu esposo conseguiu uma vaga na UTI. Porém, até ser encaminhado para a unidade devido a problemas neurológicos, seu esposo, de 57 anos, passou três vezes por Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) até conseguir efetivamente internação. "Já estamos há um mês no HGF e já vi esse corredor da emergência bastante lotado. Posso garantir que há muita gente todos os dias", diz.

Interrupção

A carência de insumos, a superlotação das emergências e da UTI neonatal levaram a direção da unidade, na quarta-feira (6), a tentar a suspensão das cirurgias eletivas. O documento assinado pelo diretor geral do HGF, Romero de Matos Esmeraldo, pelo diretor médico, Francisco Sérgio Rangel, e pelo diretor técnico, Pedro Leão de Queiroz Neto, foi encaminhado à Sesa que não autorizou a paralisação e garantiu que providenciaria os materiais.

No fim da semana, a Associação dos Médicos do HGF divulgou uma nota pública expondo as precariedades. Sobre o texto, o diretor médico do HGF, Sérgio Pessoa, afirmou, ontem, "ser um direito legítimo dos médicos". Porém, ele ressalta que algumas situações apontadas no comunicado, como o abastecimento de medicamentos e as cirurgias eletiva, já estão sendo resolvidas. "Estamos tentando equacionar essa situação com a verba que recebemos do Governo Federal, o repasse estadual e também do município", explica.

O diretor do HGF explicou que o hospital está com dívidas atrasadas desde o ano passado, mas que a expectativa é que nesta semana os débitos comecem a ser sanados. A Sesa, informou, em nota, que "está adotando todas as medidas para o pleno funcionamento do HGF".

FIQUE POR DENTRO

Unidade tem 60 pacientes nos corredores

O balanço divulgado pelo Sindicato dos Médicos e pela Associação Médica Cearense (AMC) aponta que o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), ontem, contabilizava 60 pacientes internados nos corredores.

Dentre os cinco hospitais "monitorados" pelas entidades médicas, desde o dia 21 de abril, nesse domingo, o HGF era o hospital com o segundo maior número de pacientes internados em condições inadequadas. Somente o Instituto José Frota (IJF) tinha mais pacientes em situação precária, com 98 macas nos corredores.

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