Praças do Centro da Capital sofrem com falta de cuidados - Cidade - Diário do Nordeste

Má conservação

Praças do Centro da Capital sofrem com falta de cuidados

Passeio Público, Praça do Ferreira e Praça José de Alencar estão em situação crítica; gestão promete ações

00:00 · 10.09.2014
Na Praça do Ferreira, um dos principais problemas são as pessoas em situação de rua que espalham lençóis, colchões, redes e roupas no meio do logradouro.
No Passeio Público, plantas secas e lixo acumulado podem ser vistos por visitantes.
Na Praça José de Alencar, onde a estátua do escritor está pichada, sofre com o mau uso da população, conforme o titular da Secerfor ( Fotos: Fernanda Siebra )

O verde das árvores deu lugar às folhas secas caídas ao chão, que misturam-se com o lixo deixado nos canteiros. Os locais de lazer tornaram-se abrigos para pessoas em situação de rua. Esse é o quadro de alguns dos maiores cartões postais da Capital, as praças públicas do Centro.

Quem costumava ir ao Passeio Público e estar em meio à natureza, descarta a possibilidade das próximas visitas. A dona de casa Fátima Matos, 43, afirma que frequentava a praça durante as tardes, mas hoje, se decepciona com o que vê. "Antes, era tudo bonito. Agora, está mal cuidado, estão deixando as plantas morrerem. Acho que nem virei por aqui outras vezes", diz.

Além da falta de manutenção e poda das plantas, é fácil se deparar com garrafas, latas e sacolas espalhadas pelos canteiros e nas fontes de água do equipamento. O titular da Secretaria Regional do Centro (Sercefor), Ricardo Sales, afirma que a conservação do local acontece de forma constante e são enviadas, com frequência, equipes para reparar os danos. "É a parte paisagística da praça que está muito mais sofrida", reconhece. O órgão é responsável pela conservação e manutenção da estrutura física das praças da cidade, como bancos e piso.

Já em relação ao cuidado das árvores, de responsabilidade da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), em parceria com a Sercefor, está sendo estudada uma forma de garantir a manutenção da área verde do local, revela o secretário.

Agravante

Outro fator que agrava bastante a situação das praças públicas é a presença de dezenas de pessoas em situação de rua, que fazem dos equipamentos a sua casa. Famílias inteiras espalham lençóis, colchões, redes e roupas no meio dos logradouros e entre um ponto comercial e outro. São verdadeiros "pontos demarcados" nos bancos.

Sobre essa questão, que acontece mais frequentemente na Praça do Ferreira, Ricardo Sales confessa ser um problema de difícil solução.

"Quanto à estrutura física, a Praça do Ferreira está muito bem. Porém, a presença das pessoas em situação de rua ainda é muito forte. Temos grupos para tentar resolver o problema da forma mais adequada", garante. O secretário afirma que, em um curto espaço de tempo, serão realizadas ações voltadas para a melhoria dessa situação.

Confira no vídeo da TV DN a situação do Passeio Público:

O secretário da Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Setra), Cláudio Ricardo, assegura que, na primeira quinzena de outubro, será lançado, no Centro da cidade, um comitê municipal que tratará de assuntos relacionados às pessoas que vivem em situação de rua, a fim de encontrar meios para melhorar as condições dessa população.

"Buscaremos alternativas para encontrar um espaço no Centro que possa servir para três necessidades básicas dessas pessoas: alimentação, banho e lavagem de roupas", afirma. Ainda conforme o titular da Setra, faz parte do conjunto de políticas a criação de mais 700 vagas para abrigar moradores de rua em centros de acolhimento.

O engenheiro mecânico José Vilmar Pinto, 57, lamenta ver a Praça do Ferreira naquela situação. "Não dá para acreditar que um lugar considerado como um cartão de visitas de Fortaleza, uma área nobre dos anos dourados, encontra-se nesse estado", opina. Conversando com o amigo Tiago Montoril, 69, pensava em uma maneira de revitalizar o local que foi cenário de uma época boa da sua vida. "Talvez se ocupassem esses prédios antigos, de forma funcional, poderia ser que as famílias voltassem a utilizar esse espaço e o quadro mudasse. É preciso rejuvenescer o Centro para que esses problemas desapareçam", acredita o engenheiro.

"Um dia, observei 14 colchões espalhados aqui na praça, em baixo de uma palmeira. Como podemos trazer um turista?", lamenta Tiago, que também crê que é preciso trazer funcionalidade ao local para que outras pessoas passem a frequentar.

Reforma

Antônio Nonato dos Santos, 40, que frequenta a Praça José de Alencar, aponta que aquele local também precisa de mais atenção dos órgãos responsáveis. "Eles ajeitam, mas não mantêm", diz. Lá, a estátua de José Alencar está pichada.

Após sofrer com o abandono, apresentando lixo e mau cheiro, está prevista para aquele local uma reforma ainda neste ano. "É a praça que mais temos dificuldade para manter devido ao mau uso da população. Apesar disso, temos um projeto aprovado para iniciar uma reforma em todo o equipamento em novembro", garante o secretário da Secerfor.

Segundo ele, a praça será totalmente requalificada, com toda a estrutura modificada e piso paisagístico. "Outra grande mudança que está prevista é o ordenamento do comércio ambulante, para que aconteça de forma mais organizada", certifica.

Um projeto de revitalização do Centro, da Prefeitura de Fortaleza, previsto para começar em 2015, inclui obras em todas as praças do Centro, com exceção da José de Alencar que deve ser reformada pelo Metrofor.

Patrícia Holanda
Especial para Cidade

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