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População idosa da Capital diminui, e infantil cresce

Números divulgados pelo IBGE demonstram que Fortaleza apresenta dados demográficos destoantes do Brasil

Na contramão do que vem ocorrendo no Brasil, número de crianças é maior FOTO: THIAGO GADELHA Na contramão do que vem ocorrendo no Brasil, número de crianças em Fortaleza é maior e o de habitantes com idade entre 50 e 59 anos diminuiu ( Foto: Thiago Gadelha )
01:00 · 27.04.2018 por Cadu Freitas - Repórter

Desde que veio ao mundo, há um ano e sete meses, João Miguel só quer viver na rua, seja nos parquinhos ou nas praças, a criança gosta mesmo é de aproveitar o que a cidade tem de melhor para oferecer. "Os locais que a gente mais utiliza são as pracinhas, praias, mas é nos shoppings onde a gente prefere pela questão da segurança, que passa um pouco mais pra gente", relata o pai, Alexandre Monteiro, 32, enquanto faz peso do outro lado de uma gangorra para o pequeno se divertir.

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A mãe, Ravely Bruna, 24, do outro lado, segura os bracinhos do filho e mostra para ele os demais brinquedos à disposição. Na Praça, o garoto pode ainda deslizar no escorregador, pular em um cavalinho de molas e ir para frente e para trás no balanço. "Ele quer estar sempre assim brincando e gosta mesmo é de sair. Só para na hora de dormir e é aquela dificuldade", ri o pai já imaginando quais as próximas escolhas do menino para o riso poder ser compartilhado.

João Miguel nasceu no fim de 2016 e, naquela época, a população de crianças na cidade de Fortaleza estava diminuindo. Contudo, na contramão do que vem acontecendo em nível nacional e estadual, a Capital (apesar dos 292 anos de história) está mais jovem. Isso porque os dados coletados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram crescimento da população infantil e diminuição da população idosa.

A Capital tem cerca de 18 mil habitantes a mais, quando comparados os números entre 2016 e 2017: antes eram 2.611 milhões e, no ano passado, foram contabilizados 2.629 milhões de moradores. Contudo, em divergência aos anos anteriores, Fortaleza teve crescimento no número de crianças entre 0 e 13 anos ao passo que a população geral também aumentou. O acréscimo infantil foi pequeno, de 0,3% (17,7% para 18%), porém, vem de encontro aos dados do Estado e do País, que apresentam, diminuições nas populações mais jovens.

Do outro lado do gráfico da Pnad Contínua relativo à população, aparecem ainda as pessoas com mais de 60 anos, consideradas idosas. Nesse aspecto, houve outra divergência com relação ao Ceará e ao Brasil: Fortaleza apresentou diminuição na quantidade de pessoas nessa faixa etária. De 13,5% em 2016, os mais velhos passaram a 12,9% da população fortalezense.

Ressalta-se que, na Capital, o número de habitantes com idade entre 50 e 59 anos também diminuiu, coisa que não se repete em nível nacional. Ao todo, a população brasileira já conta com 30.275 milhões de idosos, sendo quase 17 milhões só de mulheres. Desde 2012, a população idosa já cresceu 18,7%.

Raça

Com relação à raça da população de Fortaleza, a maioria dos habitantes se identificou com a parda, representando 60,8%. Brancos e negros foram contabilizados com 33,2% e 5,3%, respectivamente.

A maior população contabilizada pela Pnad Contínua na Capital é a de mulheres pardas, cuja soma chegou a 815 mil; os homens pardos, por sua vez, chegaram a quantidade de 782 mil.

Nas diferenciações de raça utilizadas pelo IBGE para caracterização dos dados da Pnad Contínua, a quantidade de mulheres com relação aos homens é superior entre brancos e pardos. A raça negra, no entanto, tem maior quantidade de representantes do gênero masculino do que do feminino; foram afirmados na pesquisa 81 mil negros e 59 mil negras.

Apesar do aumento da população total na cidade de Fortaleza, a raça negra possui menor representatividade local, de acordo com os dados. O número de negros e negras em 2016 era de 146 mil e, em 2017, passou a 140 mil. Diferentemente do que vem ocorrendo nos níveis estadual e nacional, nos quais essa população vem crescendo com o passar dos anos.

Só no Ceará, já foram afirmados pelo IBGE 387 mil pessoas que se reconhecem como sendo pertencentes à raça negra; no Brasil, apenas entre 2016 e 2017, foram mais de um milhão de pessoas autoafirmadas. O número subiu de 16.825 milhões para 17.835 milhões.

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