Poluição no Rio Poti mata peixes - Cidade - Diario do Nordeste

CRIME AMBIENTAL

Poluição no Rio Poti mata peixes

05.05.2007

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Semace fará fiscalização das causas da poluição do Rio Poti. Cagece e Brasil Ecodiesel negam acusações

Desde o início desta semana, um acontecimento na cidade de Crateús, distante 354 quilômetros de Fortaleza, chama a atenção dos moradores e das autoridades do local. A intensa poluição do Rio Poti e o aparecimento de uma grande quantidade de peixes mortos, às margens do curso d´água, deixaram os habitantes preocupados em solucionar as causas do problema.

Revoltada com o caso, a comunidade está em processo de mobilização desde o dia 30. De acordo com o padre Davi Silva, pároco da Igreja Senhor do Bonfim de Crateús, a situação está crítica e já chegou a atingir a saúde dos moradores.

“Há mais de cinco meses o mau cheiro incomoda, mas nunca pensávamos que um dia veríamos centenas de peixes mortos. As águas do Rio Poti nunca ficaram poluídas dessa forma. E agora, vemos a maior parte do rio coberta por espumas e peixes mortos. Além das pessoas estarem sentindo dores de cabeça e mal-estar”, disse.

Segundo o pároco, os cuidados se intensificam com a presença da unidade da Brasil Ecodiesel, em Crateús, e da Estação de Tratamento de Esgoto da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), que ficam ao lado do Rio Poti.

“Visitamos os dois locais para saber de onde está minando as substâncias. Pelo o que pudemos verificar, a estação está com todos os procedimentos normalizados. Já na usina de biodiesel observamos a existência de um cano que lança resíduos nas águas”, conta Davi.

De acordo com Eduardo de Come, diretor da Brasil Ecodiesel, o caso está sendo verificado e dois laudos já foram realizados para verificar o fato.

Coliformes

“Pelas análises feitas pela empresa de engenharia ambiental Ambienge, a poluição é decorrente de coliformes fecais, iodo e esgoto sanitário. Realmente há substâncias saindo por um cano do terreno da usina, mas não são resíduos industriais. Estamos tomando todas as providencias possíveis para solucionar o problema”, explica Eduardo.

O gerente da Unidade de Negociação da Bacia do Parnaíba da Cagece, Luiz Alberto Figueiredo, conta que já foram observados todos os riscos possíveis de poluição, mas que não há nenhuma pendência.

“Temos certeza que o problema não está sendo causado pela Cagece. Estamos aqui há 10 anos e nunca tivemos nada em relação a isso. Inclusive, depositamos no rio uma água de qualidade muito boa. A poluição que está no rio, aparentemente, é motivada por resíduos industriais”, relata Alberto.

Para verificar a causa da poluição, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) coletou amostras da água para verificar as substâncias que estão sendo depositadas no local. “Infelizmente, não temos previsão do resultado do laudo, mas estamos realizando as análises. Com este resultado poderemos afirmar o que está causando o acúmulo de espuma e a morte dos peixes”, assevera Arilo Veras, coordenador do Núcleo de Prevenção e Controle Ambiental.

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