Balneabilidade

Poluição na orla se repete e ameaça praias da Capital

Desta vez, um ponto de esgoto a céu aberto vem incomodando banhistas no Vila do Mar, na Barra do Ceará

A dimensão do espaço de areia ocupado por água poluída chama atenção de quem passa, faltando poucos metros para chegar até o mar ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
01:00 · 17.08.2018
Os registros são facilmente observados em pontos de grande movimentação, como a Praia de Iracema e a Praia do Futuro, situação já mostrada pelo jornal

Entre os problemas ambientais característicos de metrópoles litorâneas, ainda a serem superados, melhorar os índices de balneabilidade da água do mar requer urgência para uma melhor qualidade de vida da população. Em Fortaleza, contudo, esse desafio esbarra no corriqueiro cenário de ligações clandestinas na rede de esgoto, que colaboram para o despejo de poluentes nas praias através das galerias pluviais. De janeiro a junho deste ano, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) emitiu 511 autuações por emissão irregular de efluentes nos recursos hídricos da cidade.

O problema se repete ano a ano na capital cearense, aonde, somente na orla, cerca de 16 mil imóveis não tem interligação de esgoto. Os registros são facilmente observados em pontos turísticos e de grande movimentação, como a Praia de Iracema e a Praia do Futuro, situação já mostrada pelo Diário do Nordeste. Nesta semana, no entanto, o problema atingiu também os banhistas e demais frequentadores do litoral Oeste da cidade.

Um ponto de esgoto a céu aberto vem incomodando banhistas e frequentadores do Vila do Mar, na Barra do Ceará. A reportagem esteve no local nesta quinta-feira (16) e conforme relatos dos frequentadores, o escoamento foi interrompido devido ao desligamento de um motor da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

A dimensão do espaço de areia ocupado por água poluída chama atenção de quem passa, faltando poucos metros para chegar até o mar. A incidência de lixo piora ainda mais a situação e o mau cheiro. Antônio Gomes, 57, proprietário de uma barraca localizada ao lado da galeria de drenagem, informa que o problema não é constante, mas quando acontece atrapalha no fluxo de pessoas na barraca. "O odor é forte. A clientela não fica por conta disso. Quando o motor desliga aí a situação fica bastante complicada", reclama Antônio, revelando que as chuvas costumam agravar a situação.

Ações

Ações de combate à poluição hídrica em Fortaleza são realizadas diariamente, segundo informou a Prefeitura, por meio da Agefis. De acordo com a Pasta, os fiscais municipais, em parceria com técnicos da Cagece, fazem a verificação dos imóveis que não estão interligados à rede pública de esgoto, bem como os imóveis que lançam efluentes de forma irregular na rede pública de esgoto e/ou nas galerias pluviais, assim como também nos recursos hídricos. No primeiro semestre deste ano, o órgão realizou 1.520 fiscalizações.

A Agefis reforça que, de acordo com o Código de Obras e Posturas (Lei 5.530/81), não interligar o imóvel à rede pública de esgoto gera multa de R$ 83,35 a R$ 12.502,58, variando de acordo com o nível de poluição gerada e a sua reincidência.

A Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), por sua vez, destaca que as ações ambientais da Pasta serão ampliadas através do Programa Fortaleza Cidade Sustentável, atualmente em tramitação, e que prevê a implementação de projetos do componente Águas da Cidade. Segundo a Secretaria, o empréstimo de US$ 150 milhões aprovado junto ao Banco Mundial (Bird) permitirá, entre as ações, a ligação gratuita à rede pública de abastecimento de água e coleta de esgoto em domicílios de baixa renda. A cobertura atual de esgotamento sanitário em Fortaleza é de 60%.

Apesar de englobar toda a cidade, ainda conforme a Seuma, o programa terá como foco a região Oeste da Capital, entre os pontos 24 e 31 do monitoramento da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), considerados os mais críticos. A estimativa é que os pontos contem com vídeo-inspeção das galerias pluviais, o que facilitará a identificação das ligações irregulares de esgoto. Sobre o problema na Barra do Ceará, a Cagece informou ter sido ocasionada pela realização de uma manutenção na rede de esgoto, concluída ontem (16), estando a rede hoje operando de maneira normal.

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