HABILITAÇÃO AQUAVIÁRIA

Pescadores concluem curso de capacitação

O principal objetivo da Capitania dos Portos era instruir os alunos em relação às questões de segurança marítima

01:00 · 22.08.2018
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Para receberem a Carteira de Inscrição e Registro (CIR), os alunos assistiram, durante 15 dias, às aulas sobre segurança no mar ( FOTO: THIAGO GADELHA )

A intensa rotina de trabalho de pessoas que exercem atividades marítimas pode implicar positiva ou negativamente nas condições da função que elas desempenham. Objetivando repassar questões relacionadas à segurança no mar para os que estão inseridos neste contexto, 29 pescadores receberam, na última terça-feira (21), uma certificação do curso de capacitação aquaviária.

De acordo com a tenente Júlia Cunha, responsável pela Divisão de Ensino e Habilitação da Capitania dos Portos do Ceará, a necessidade do trabalho faz com que os pescadores se inscrevam para assistir às aulas. A última turma, segundo ela, era composta por 29 alunos, sendo que 48% deles eram semianalfabetos. "Nós orientamos que os instrutores aplicassem uma prova oral, por conta da dificuldade que alguns dos aprendizes tinham em relação à escrita".

Para receberem a Carteira de Inscrição e Registro (CIR), os pescadores assistiram, entre os dias 16 a 31 de julho de 2018, em período integral, das 8h às 16h30, às aulas de segurança no mar, na sede da Capitania dos Portos. Ao fim do processo, eles foram submetidos a uma prova, em que não podiam tirar nota inferior a seis. "Eles não ganharam, e sim conquistaram a CIR, pois, se não tivesse aproveitamento, eles não teriam sido recebido o documento", pontuou a tenente Júlia Cunha, que ressaltou a importância das colônias procurarem a formação profissional dos agregados.

Ilegalidade

Pescador há quase duas décadas, Lindenberg Sales, 42 anos, representante dos colegas de turma, conta com orgulho a experiência de ter participado do projeto. Ele disse ainda que, antes, além do medo das ondas, ficava com receio de ser flagrado de maneira ilegal. "É a nossa fonte de renda e de sobrevivência, por isso fazíamos assim. Sem a habilitação, nós éramos conduzidos à terra, por questão de segurança mesmo. Nós aprendemos que o importante não é só ir ao mar, é ir e vir com segurança", afirma.

Associação

O presidente da Colônia de Pesca e Aquicultura de Fortaleza Z-8, Possidônio Soares, vê a importância do CIR para que os pescadores deixem de navegar clandestinamente, mas também como uma forma de eles garantirem a aposentadoria, assim que completados 30 anos de trabalho. Contente ao ver os associados serem condecorados com o documento, ele considera como "um momento de festa" o fato de os pescadores, agora, poderem trabalhar tranquilos.

"É uma satisfação imensa ver cada um que participou dessa turma entrar em uma jangada, em um paquete ou lancha legalizados, com a maior segurança. Quando as autoridades marítimas os abordarem, eles estarão tranquilos, e não mais querendo se esconder, andando clandestinamente, como acontecia antes", relata o também pescador, ao relembrar o histórico familiar de trabalhadores que também tinham a pesca como fruto de sustento diário.

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