Movimento

Pela valorização das árvores antigas

02:12 · 04.11.2012
Ainda não há levantamento sobre a quantidade de árvores da cidade, nem sobre as espécies nativas

Outro lado: na Rua Antônio Ivo, Henrique Jorge, os benjamins plantados em frente à casa de Rachel de Queiroz servem como esconderijo para assaltantes e têm várias colmeias que incomodam os moradores daquela via FOTO: VIVIANE PINHEIRO

Nestes meados de primavera, é fácil notar algumas árvores em Fortaleza, até pelo seu colorido, como é o caso dos ipês e flamboyants. Porém, outras tantas passam despercebidas aos olhos de quem transita apressado pela cidade, mesmo que sejam antigas ou que em algum tempo remoto tenham tido alguma importância histórica, haja vista o exemplo dos benjamins, situados em frente à casa da escritora Rachel de Queiroz, no Pici, ou o baobá do Passeio Público.

No sentido dessa valorização, que inclui também o plantio de novas árvores, trazendo à população mais qualidade de vida, o Grupo Edson Queiroz lançou, em março deste ano, a campanha "Plante uma Árvore".

Mas, para viabilizar a preservação, a Capital cearense precisa saber quantas árvores existem, qual a idade média de cada uma ou mesmo quais são as espécies nativas. A Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano de Fortaleza (Semam) deverá divulgar, na próxima semana, um estudo sobre mapeamento arbóreo da cidade. Porém, como esse estudo é feito por amostragem, não será possível precisar o número de árvores de Fortaleza.

O Movimento Pró-Árvore, que reúne especialistas e defensores do meio ambiente em torno da arborização, iniciou, há três meses, um estudo sobre as "Árvores Notáveis" da cidade. Segundo o criador do movimento, o engenheiro agrônomo e especialista em botânica Antônio Sérgio Farias, é da cultura do cearense ver as árvores, não como patrimônio, mas como obstáculo. "Sempre que se fala em limpar um terreno, significa tirar todas as árvores e a vegetação", diz.

Na opinião de Antônio Sérgio, Fortaleza ainda não se preocupa com o verde. "Não existe um órgão específico que cuide do plantio de árvores. Estamos na estaca zero. Infelizmente, nas semanas comemorativas são distribuídas muitas mudas, mas elas morrem, porque não há orientação sobre os cuidados".

Até agora, o Movimento Pró-Árvore identificou nove espécies. Os benjamins da Rua Gonçalves Ledo, 1535 e da Avenida Barão de Studart, ao lado da Igreja Betesda; o cajueiro e o pau-d´arco-roxo da Avenida Antônio Sales, 1780; uma paineira mais adiante na mesma via, na esquina com a Rua Oswaldo Cruz; timbaúba na Rua Joaquim Lima, 333, no Papicu; castanhola na Rua Desembargador Leite Albuquerque, 250; e a carolina, na Rua Oswaldo Cruz, 1221, esquina com Rua Deputado Moreira da Rocha. A pesquisa completa das principais árvores pelo Movimento ainda não tem data para ser concluída. "Como fazemos no nosso tempo livre, não sabemos quando vamos terminar".

Para perceber essas árvores antigas, basta dar uma volta pelo Centro. Nas avenidas Imperador e Duque de Caxias, o canteiro central é todo tomado por árvores antigas. Também é possível encontrar árvores frondosas na Avenida 13 de Maio, próximo à Reitoria da Universidade Federal do Ceará e ao 23º Batalhão dos Caçadores.

Porém, nem sempre residir próximo a árvores antigas pode ser uma vantagem. No caso dos benjamins plantados em frente à casa de Rachel de Queiroz, na Rua Antônio Ivo, Henrique Jorge, os moradores denunciam que assaltantes utilizam os troncos ocos para se esconder, antes de abordar as possíveis vítimas.

A equipe tentou entrar em contato com a Emlurb, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

KELLY GARCIA
REPÓRTER

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