ESTRUTURA COMPROMETIDA

Parte do teto de residência universitária desaba

A Universidade Federal do Ceará firmou o compromisso com os alunos de entregar a obra pronta em 20 dias

01:00 · 25.08.2018
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Os moradores afirmaram que o responsável pela limpeza do imóvel estava em um compartimento próximo ao do desabamento ( FOTO: RODRIGO GADELHA )

"Alguns colchões, que ficavam aglomerados um sobre o outro, formavam uma espécie de sofá, em que um dos estudantes dormia momentos antes do teto desabar. Tinha tudo para dar errado. O rapaz que faz a limpeza daqui estava na sala. Antes de ir embora, ele foi para a cozinha almoçar, e foi aí que aconteceu o fato", comenta o morador de uma das residências que abriga estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), que teve parte do teto desabado, nessa quinta-feira (23). O imóvel, localizado na Avenida da Universidade, no bairro Benfica, albergava 17 pessoas. Na ocasião, ninguém ficou ferido.

Em uma situação que considera como "sorte", um segundo universitário, que pediu para não se identificar, afirma que, por estar de folga do estágio, decidiu resolver alguns assuntos pessoais, acreditando que, se estivesse em casa, teria sido atingido pelos caibros e ripas que foram ao chão, já que, geralmente, estuda no quarto. "Acho que se torna uma negligência, pois fizemos muitas reclamações, que foram respondidas, mas não sanadas".

O estudante ainda relata que o ocorrido prejudicou a rotina de todos os residentes. "Sou professor e tenho que estar em sala de aula às 7h. Quando o teto caiu, eu estava voltando da escola. Não almocei porque passei a tarde resolvendo isso e, à noite, não tive tempo de fazer a mudança geral. Sem falar que eu deveria estar estudando para um concurso, mas acabei mudando toda a minha rotina por conta disso".

Debate

Um dos moradores relembra que, há algumas semanas, o grupo de universitários se reuniu no imóvel para assistir ao debate político, e que alguns deles relataram ter escutado barulhos no teto da casa, que já tinha sido inspecionada e condenada por um avaliador. "Se isso tivesse acontecido na noite em que estávamos em frente à TV, todos teriam morrido", conta, ao mencionar a queda do forro de gesso, no ano passado. "Um dos estudantes quase se machucou. Tinham muitas goteiras aqui, por isso houve um acúmulo de água. Nós demos a sorte de que todos esses desabamentos não deixaram nenhuma vítima".

Em reuniões com representantes da instituição, os alunos revelaram que foram informados sobre a falta de material disponível para que houvesse uma reforma no local.

"Eles alegaram que a verba destinada aos reparos das casas que albergam os estudantes ficam em segundo plano porque os prédios administrativos e aqueles onde acontecem as aulas são as prioridades", relata um estudante.

Diante do contexto, os universitários pediram que os representantes da UFC assinassem um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) em que firmavam um compromisso de que entregariam a obra pronta em 20 dias úteis. "Em caso de descumprimento, eles serão obrigados a pagar o aluguel de uma casa que comporte todos nós", assevera o estudante.

Reparo

Em nota, a instituição informou ter realizado uma vistoria em todo o local e que iniciou a recuperação da cobertura do imóvel. Sobre a reunião entre representantes da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), da Prefeitura do Benfica e da Superintendência de Infraestrutura e Gestão Ambiental (UFC-INFRA) com os residentes, ficou decidido o prazo de vinte dias para a conclusão da obra. A UFC acrescentou que os 17 moradores foram realocados para outras residências universitárias. (Colaborou Itallo Rocha)

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