Operários da construção pesada iniciam greve - Cidade - Diário do Nordeste

REIVINDICAÇÕES

Operários da construção pesada iniciam greve

05.06.2012

Segundo o sindicato da categoria, a paralisação será gradativa e 10% dos trabalhadores já teriam aderido

Os operários da construção pesada entraram em greve, ontem, em Fortaleza e no Interior. A paralisação, no entanto, será realizada de forma gradativa, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral (Sintepav-CE). Dos 18 mil trabalhadores, oito mil, ou seja, 10%, já aderiram à greve, informa o sindicato.

Na Capital, a paralisação abrange obras de saneamento no entorno do Estágio Castelão, dos túneis do Centro de Eventos do Ceará (CEC), de tratamento e esgoto, e da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor). Nesta, parte dos trabalhadores já estavam em greve desde o dia 28 de maio e o restante aderiu ontem.


Grande parte dos trabalhadores dos túneis do Centro de Eventos do Ceará não estava nem sabendo da greve da categoria FOTO: RODRIGO CARVALHO


Ao todo, segundo o Sintepav, oito obras ligadas à mobilidade urbana e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já foram suspensas no Ceará. A expectativa é que, hoje, operários de mais canteiros paralisem os serviços após a realização de assembleias, que acontecerão em todo o Estado.

Nos túneis do CEC, por exemplo, lideranças sindicais devem se reunir com os trabalhadores às 7h, a fim de parar os serviços. No local, grande parte dos operários não está sabendo da greve, e não têm certeza de que vão aderir à paralisação, pois as obras estão quase concluídas.

"Aqui, ninguém está falando em greve. Todos estão trabalhando normalmente. Acredito que ninguém vai parar", diz o pedreiro José Martins dos Santos, 39.

A categoria reivindica 25% de reajuste, R$ 300 em cesta básica, plano de saúde para o trabalhador e seus dependentes, participação nos lucros, organização no local de trabalho de um para cada 200 trabalhadores, folga de campo a cada 60 dias aos operários que moram foram ho Estado e respeito à Data Base. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) oferece 8% de aumento e cesta básica de R$ 48.

Conforme o presidente do Sintepav, Raimundo Nonato Gomes, a pauta de negociações foi apresentada às empresas em abril. Ele justifica diz que as empresas concederam aumento para os operários do Castelão.

No estádio, segundo ele, o acréscimo foi de 23% para os serventes, 18% para os ajudantes práticos, 14% para os oficiais (pedreiros, carpinteiros, armadores) e 11% para o setor administrativo, além de cesta básica de R$ 150 para todos.

Na tarde de ontem, houve uma nova reunião entre os sindicatos. A advogada do Sinicom, Renilda Cavalcanti. informou que não houve um consenso. "O Sintepav apresentou uma proposta bem acima do combinado, assim não tem como a gente aceitar. Vamos ter um novo encontro na terça-feira (5). O nosso maior anseio é a conciliação", afirma Renilda.

Interior

Ontem, fiscais do Sintepav saíram em visita às obras nas cidades de Assaré, Mauriti, Brejo Santo, Antonina do Norte. A perspectiva era parar serviços no Cariri.

Em Iguatu, lideranças também visitaram obras. Para o Sintepav, cerca de 500 trabalhadores da Empresa Coral, responsável pelas obras de restauração de rodovias no Cariri estão paralisados, assim como 200 operários da Empresa Getel, responsável pela construção de três barragens, também no Cariri.

Grevistas decidem não fazer mais protestos

Os trabalhadores da construção civil decidiram, em assembleia, que a greve, que já dura 28 dias, deve continuar. No entanto, eles resolveram acabar com os protestos diários pelas ruas de Fortaleza. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF) orienta os trabalhadores a irem fardados aos canteiros de obras, mas não voltarem ao serviço enquanto não for fechado acordo sobre os dias parados.

O Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Ceará (Sinduscon) se mostrou contra o pagamento dos trabalhadores durante o período de greve.

Trabalhadores da construção civil decidiram, em assembleia geral, dar continuidade à greve


O presidente do sindicato, Roberto Sérgio, afirmou, no último dia 29, que "quem entra numa greve corre o risco de não receber pelos dias não trabalhados. Se a empresa não conta com produção, não há como pagar".

De acordo com o STICCRMF, um bloco de empresas está negociando diretamente com o sindicato para liberar a participação de alguns operários. Contudo, o Sinduscon declara que desconhece a informação.

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