'Dia D'

Vacinação contra sarampo e poliomelite continua até sábado (1º)

Até esta quinta-feira (30), o Ceará ainda não havia atingido a meta de imunização

16:05 · 30.08.2018 / atualizado às 17:35
Vacinação contra sarampo
Até esta quinta-feira, 86,4% do público alvo havia sido vacinado contra o sarampo. (Foto: JL Rosa)

Com o objetivo de atingir a meta estipulada pelo Ministério da Saúde, o Estado do Ceará prorrogará, por um dia, a Campanha Nacional de Vacinação contra Sarampo e Poliomielite, iniciada no último dia 6. O “Dia D” acontecerá no sábado, dia 1º. O propósito era imunizar, no mínimo, 95% de todas as crianças na faixa etária entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, de forma homogênea, para evitar a manutenção ou formação de bolsões de não vacinados. No entanto, até esta quinta-feira, o Estado havia atingido cobertura vacinal de 85,36% para a poliomielite e 86,4% para o sarampo.

A estimativa é vacinar cerca de 3,3 milhões de pessoas amanhã e sábado. Com isso, a Sesa espera atingir a lacuna de quase 10 pontos percentuais do público alvo – 483.724 das 509.183 crianças nessa faixa etária. No Ceará, das 184 cidades, cerca de 100 já atingiram a meta do Ministério, segundo da Sesa. “Além destes [100 municípios] outros estão com o índice bem próximo de atingir a meta. De um modo geral, estão bem, detemos a segunda maior cobertura do Nordeste e a sexta maior do Brasil”, destaca Ana Vilma Leite, Coordenadora Estadual de Imunizações.

Em Fortaleza, os números estão aquém, se comparados a média do Estado. A cobertura vacinal da poliomielite está em 62.57% e, em relação ao sarampo, 62.92% do público alvo. Para saltar no índice, cerca de 20 postos de saúde estarão abertos durante o sábado, na Capital cearense.

Queda abrupta

A campanha de vacinação infantil em massa teve início em meio a um quadro que requer atenção. As taxas de imunização de crianças contra 17 doenças atingiram no ano passado níveis bem abaixo do que é preconizado. A pediatra e Mestra em Saúde Pública, Anamaria Cavalcante e Silva, revela que vários fatores podem explicar essa queda abrupta nos números. Um dos motivos destacado é a percepção enganosa de parte da população de que não é preciso vacinar porque as doenças desapareceram.

“Tivemos recentemente a campanha da gripe H1N1 cuja adesão foi altíssima. A população viveu a doença. Todos viam os casos de pessoas acometidas e sentiam medo, então elas mesmas corriam aos postos para se vacinar. Agora, a visão é diferente. A poliomielite foi erradicada em 1994. Então são doenças que muitas pessoas nunca ouviram nem falar, logo, cria-se a falsa impressão que estamos completamente protegidos”, observa.

Como consequência da redução no número de crianças vacinadas, casos de doenças começaram a retornar após anos, sobretudo nos Estados de Roraima e no Amazonas. “Hoje o mundo está globalizado. Em Fortaleza, por exemplo, há dezenas de voos diários para diversos países. E nem todos eles possuem total cobertura da doença, por isso a importância periódica de se manter os programas imunológicos”, acrescenta.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em todo o Brasil, já são sete óbitos por sarampo e mais de 1.553 casos da doença confirmados até o dia 28 de agosto. 

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