São Pedro é homenageado pelos pescadores e jangadeiros cearenses

O santo é conhecido por ser o protetor dos navegantes e daqueles que vivem da pesca

A estátua de São Pedro foi levada pelos pescadores através do mar do Naútico ( Foto: Saulo Roberto )
12:46 · 29.06.2018 / atualizado às 14:56

A festa do santo padroeiro dos pescadores, como acontece há 166 anos, foi comemorada pelos pescadores e jangadeiros cearenses com a tradicional procissão marítima na praia do Mucuripe na manhã desta sexta-feira (29), em frente ao Mercado dos Peixes. O dia de São Pedro, de pescador de peixes a pescador de homens, apóstolo de Jesus Cristo, é o último dos santos juninos, comemorado no dia 29 de junho pelos seus devotos fiéis e semelhantes de profissão. O cortejo seguiu trajeto partindo do Mercado dos Peixes, indo até o espigão do Náutico e retornou.

O santo é comemorado todos os anos com a simbólica procissão marítima na praia, que, neste ano, contou com cerca de 12 embarcações e cinco equipes da Marinha do Brasil, com 18 militares no total. O apoio foi feito tanto em terra quanto em mar, com duas equipes em lancha e uma em moto aquática. "Nós somos admiradores dos pescadores que têm como instrumento de trabalho o mesmo que o nosso, o mar. Sempre que um pescador se faz ao mar, ele está resgatando a vocação do Brasil que é a vocação marítima, a preocupação com o mar que é dos brasileiros", declara o Comandante e Capitão de Mar e Guerra, Madson Cardoso.  

A celebração eucarística, realizada antes do cortejo, reuniu não só pescadores, mas também os fiéis e devotos de São Pedro que, depois da missa, aproveitaram para acompanhar as jangadas no mar levando a estátua de São Pedro do . Muitos quiseram acompanhar de cima das próprias embarcações, mas por questões de segurança, a Marinha recomendou que apenas pessoas que já soubessem conduzir uma jangada entrassem na água. Segundo o comandante da Marinha, "a nossa preocupação é que as embarcações não saiam com superlotação. As jangadas não são embarcações de passageiros e elas não tem o mesmo nível de segurança para levar passageiros como as embarcações que são destinadas para isso. Por isso que, nas jangadas, a gente solicita que somente embarque aqueles que conhecem e estão acostumados a trabalhar na jangada, sabem das peculiaridades e sabem como se portar dentro dela para não ter nenhum problema de segurança". 

Os pescadores que participaram da tradição reforçaram a fé no seu santo protetor. O presidente da Colônia Z8 de pesca de Fortaleza, que atua entre o rio Ceará e o Rio Pacoti, conta como surgiu a tradição: "A procissão marítima já é centenária, ela existia nas jangadas de Piúba nos primórdios da existência do Porto do Mucuripe. Então, os pescadores chegando no dia de hoje, há quase 100 anos atrás, se reuniram, celebraram essa missa e faziam essa procissão", explica Possidônio Soares Filho. A colônia Z8 atua na região litorânea compreendida entre o Rio Ceará e o Rio Pacoti e conta com mais de 2.500 pescadores. 

O carpinteiro naval, que veio de uma família inteira de pescadores, conta que sua ligação com o mar, assim como é com muitos companheiros da comunidade, vêm de tempos antigos. "Um pescador, em 1944, na época da guerra (2ª Guerra Mundial), chamado Possidônio, meu pai, fez a nossa primeira jangada de tábua. E quis o destino que no século seguinte, a partir do ano 2000, eu fosse liderança da colônia na condição de vice-presidente". Para ele, porém, São Pedro representa mais que um protetor, diz Possidônio, mas a esperança de dias melhores para a pesca e a comunidade. 

 

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