PRECONCEITO NORDESTINO

Rede cearense de restaurantes responde comentário preconceituoso com poema

Um dos clientes que visitou o restaurante relatou não ter tido uma boa experiência no local e complementou com a declaração: "só podia ser nordestino"

Cliente teria ido a uma unidade no interior de São Paulo ( Foto: Divulgação )
16:15 · 29.08.2017 / atualizado às 18:39
Comentário do cliente (clique para ampliar)
Resposta do restaurante (clique para ampliar)

A rede cearense de restaurantes Coco Bambu foi alvo de preconceito nordestino na última semana, através de um site de avaliações. Um dos clientes que visitou uma unidade em Campinas, no interior do estado de São Paulo, relatou no site não ter tido uma boa experiência no local e complementou com a declaração: "só podia ser nordestino". 

Thales Osterne, fortalezense e um dos sócios do Coco Bambu, respondeu ao comentário pedindo desculpas e recitou um poema do poeta e compositor Patativa do Assaré. 

Nas últimas semanas, o comentário viralizou nas redes sociais, e Thales recebeu todo o apoio dos nordestinos e funcionários do Coco Bambu. De acordo com ele, essa foi a primeira vez que foi alvo de preconceito. A situação o deixou perplexo.

"Nós temos que ter muito orgulho de onde viemos, o povo nordestino é extremamente trabalhador. Como empresário, o que eu deixo é que a gente vem para uma cidade desbravar novos mercados e isso só traz benefícios ao local. Atualmente, empregamos 180 pessoas no restaurante em Campinas, tanto nordestinos como pessoas da região. Trabalhamos pra que a cidade cresça e prospere, não deve ter espaço para preconceito", afirma. 

De acordo com a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, mencionada pelo empresário, praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é crime e a pena é de 1 a 3 anos, com multa. 

Preconceito reincidente

Não é de hoje que os nordestinos sofrem preconceito nas redes sociais. Um dos exemplos disso ocorreu nas eleições de 2014, após a ex-presidente Dilma Roussef obter 59,8% dos votos no primeiro turno oriundos do Nordeste. A situação gerou uma onda de comentários de ódio e preconceito contra os habitantes da região. 

Nste ano, depois de  Monalysa Alcântara, do Piauí, venceu o Miss Brasil, ela também foi alvo de preconceito por ser do Nordeste e negra. A jovem declara, no entanto, ter orgulho do sua cor e do seu estado. 

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