Após 17 dias

Professores da rede municipal de Fortaleza decidem por continuidade da greve

Sem um acordo nem negociações resolutivas com a Prefeitura, os docentes decidiram, nesta sexta-feira (4), seguir com a paralisação

13:47 · 04.05.2018 / atualizado às 14:34
Professores em greve
Professores e lideranças sindicais reuniram-se nesta sexta-feira (4) para discutir sobre a paralisação ( Foto: José Leomar )
A visível cisão da aliança entre a Prefeitura de Fortaleza e os professores da rede municipal de ensino, imprescindível para o bom funcionamento da Educação na Capital, segue prejudicando uma terceira parcela desse contexto: a de estudantes das escolas públicas. Sem um acordo nem negociações resolutivas com a administração pública, os docentes decidiram, nesta sexta-feira (4), em assembleia realizada no bairro Dionísio Torres, pela continuidade da greve, que foi declarada ilegal pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), mas já se estende desde o dia 18 de abril.
 
De acordo com a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute), Ana Cristina Guilherme, não tem existido um diálogo entre a gestão municipal e a categoria, o que “dificulta uma mudança na situação”. “A Câmara Municipal nos apresentou uma proposta que, além de não satisfazer a categoria, não tem validade nenhuma, porque não tem aval do prefeito. Ele não conversa com a gente. Assim, o Comando de Greve decidiu por continuar a paralisação”, afirmou.
 
Ao todo, segundo o Sindiute, cerca de 4 mil docentes efetivos estão fora das salas de aula, e mais de 2 mil substitutos e temporários tentam manter a rotina nas unidades escolares. “Não temos como dizer quantas escolas estão de greve, porque esses profissionais são coagidos a trabalhar, juntar turmas e dar aula a dois ou três alunos, como se estivesse tudo normal”, critica a diretora. Já outro membro da diretoria do sindicato, Wellington Monteiro, estima que aproximadamente 80% das escolas aderiram à greve.
 
Reivindicações
 
Além do reajuste de 6,81% no Piso Salarial, determinado pelo Ministério da Educação (MEC), e das chamadas “pecunhas”, gratificações destinadas aos servidores; a categoria reivindica ainda “melhorias das condições de trabalho, segurança nas escolas e investimento em fardamentos e materiais para os estudantes”, como reforça Ana Cristina Guilherme. 
 
Inicialmente, a Prefeitura ofereceu uma divisão do pagamento do reajuste em duas parcelas, sendo a primeira de 2,95%, já concedida no mês passado; e a segunda de 3,75%, a ser paga apenas em janeiro do ano que vem. Já a proposta mais atual da Câmara Municipal, que intermedeia as negociações, “oferta o parcelamento em três vezes, dividindo os 3,75% anteriores em 1,86% para julho e 1,86% para dezembro”, segundo explica Wellington Monteiro. A proposição foi rejeitada pela categoria.
 
Sem aulas
 
Uma professora de uma escola municipal localizada na Grande Messejana, que preferiu não ser identificada, ressalta que o prejuízo causado aos estudantes pelo período sem aulas “é óbvio”, mas afirma que “acontece mesmo com a categoria em sala”. “O problema não é só a gente não estar lá, é a situação das escolas. Como educar direito sem material básico, sem fardamento para os estudantes e com a bandidagem entrando a qualquer hora? A gente se vira nos 30, infelizmente”, lamenta a docente.
 
De acordo com a diretoria do Sindiute, a reposição das aulas perdidas pelos estudantes “é sagrada”, sendo realizada aos sábados, em aulas extras durante a semana ou ainda por meio da redução do tempo de férias.
 
Resposta
 
Em nota, a Prefeitura afirmou “que permanece à disposição ao diálogo com a categoria tão logo as aulas sejam totalmente retomadas”, e que “apresentou duas propostas de reajuste conforme a capacidade financeira do Município", mas "a categoria decidiu pela greve e rompeu com as negociações”.
 
De acordo com a Secretaria Municipal da Educação (SME), na manhã desta sexta-feira (04), cinco unidades escolares tiveram paralisação, dos 455 equipamentos do parque escolar de Fortaleza. Em relação à infraestrutura das unidades, a Pasta garantiu que “já está em andamento, desde o ano passado, a execução do pacote de requalificação para o período 2017-2020, além das manutenções e reformas emergenciais de todo o parque escolar”. Em 2017 e neste ano, informa a SME, “foram autorizados aproximadamente R$ 30,3 milhões” de investimentos em 352 escolas.
 
Quanto à manutenção diária das unidades escolares, a secretaria esclareceu que "todas as escolas da Rede Municipal de Ensino são contempladas pelo Programa de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (PMDE), recurso municipal destinado à manutenção e desenvolvimento da Educação” e que “foram destinados R$ 12,1 milhões em 2017 para aquisição de materiais e execução de serviços”. Uma parcela de R$ 6 milhões para 2018, declara a SME, “já foi liberada às escolas, que já estão executando seus recursos”, e outro montante do mesmo valor será repassado no segundo semestre.
 
“Outros investimentos em execução em 2018, incluindo fardamentos, agendas escolares, kits escolares, materiais pedagógicos e equipamentos linha branca, totalizam aproximadamente R$ 23 milhões”, contabiliza a SME.

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