Programa Piloto

Prática de constelação familiar é levada a presos do Ceará

Ao todo, 47 internos que respondem pela Lei Maria da Penha participaram da atividade na Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes

20:15 · 07.12.2017 / atualizado às 20:34
Terapia
No Estado, a técnica já é utilizada por alguns juízes como ferramenta na solução de conflitos familiares, mas foi a primeira vez que terapia foi utilizada dentro de uma unidade prisional cearense. ( Foto: J L Rosa )

Sob os olhares atentos de 47 internos da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, no Complexo Penitenciário de Aquiraz, a encenação de um conflito familiar remete à história de cada um, objetivando levar até eles uma nova consciência. Trata-se de uma sessão de constelação familiar, técnica terapêutica de abordagem sistêmica, e utilizada pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus) como um programa piloto, nesta quinta-feira (7), com internos que respondem à lei Maria da Penha.

A nova experiência será testada nas unidades prisionais do Estado para auxiliar na resolução de conflitos internos. A prática é realizada pelo Programa Olhares e Fazeres Sistêmicos e está em conformidade com a indicação e resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNH), que incentiva o uso de métodos que despertem soluções consensuais e pacificadoras. 

“O que a gente quer efetivamente é que, enquanto eles estejam aqui internados, possam reconhecer os seus erros, possam perdoar e serem perdoados, então esse é um motivo pelo qual nós estabelecemos que a constelação sistêmica nas unidades penitenciarias é fundamental. O que a gente quer é fazer com que as pessoas saiam daqui melhores do que entraram”, disse a titular da Sejus, Socorro França.

No Estado, a técnica já é utilizada por alguns juízes como ferramenta na solução de conflitos familiares, mas foi a primeira vez que terapia foi utilizada dentro de uma unidade prisional cearense. No País, somente Pernambuco atuava com práticas similares até então.

"A partir da conteslação, a gente vai mostrar, através das vivências, o sistema familiar dele, e ele vai ter uma nova percepção daqueles comportamentos que teve, e aí com essa nova consciência, com esse olhar mais humano, do que é um processo judicial, ele vai conseguir modificar algo nele", disse Gabriela Lima, uma das coordenadoras do Programa Olhares e Fazeres Sistêmicos.

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