Falta de conscientização

Pontos de lixo persistem em vários bairros de Fortaleza

Na Avenida Domingos Olímpio, uma das mais movimentadas de Fortaleza, caixas, sacos plásticos, entulhos e restos de alimentos se aglomeram ao redor dos postes da iluminação pública

16:01 · 08.08.2018 / atualizado às 19:44 por André Costa - repórter
Diariamente, o aposentado João Maia, 66, pratica atividade física na Lagoa Porangabussu, no bairro Rodolfo Teófilo. A caminhada em torno da Lagoa que anteriormente era realizada duas vezes ao dia, corre o risco de acabar. O motivo, segundo conta, é o acúmulo de lixo ao longo do calçadão, que têm reduzido drasticamente o número de pessoas que frequentam o local. Com apenas 30% de sua capacidade visual, Maia relata que, além do forte odor exalado pelos detritos, ele esbarra em obstáculos como caixas de madeira, papelões, sacos e até móveis domésticos em desuso, como sofás.
 
“Aqui era para ser um local ideal para quem quer se exercitar, no entanto, há muito tempo o lixo tomou conta de parte do calçadão. Antes eu vinha pela manhã e ao fim da tarde, conforme orientação médica, agora, só estou vindo de manhã. Como enxergo muito pouco, por várias vezes já tropecei nos entulhos e lixos. O problema aqui é recorrente. Além do medo de cair, tem o mal cheiro, é bastante desconfortável passar por aqui”, relata. De acordo com a professora Kátia Soares da Silva, 31, os próprios moradores de condomínios que ladeiam a Lagoa não contribuem com a limpeza do local.
 
“A coleta aqui não é constante. Isso é um fato. Mas, se a população não colocasse tanto lixo a situação poderia ser um pouco melhor. Acredito que falte um trabalho mais ativo da prefeitura, tanto no que tange a limpeza em si, quanto na instalação de placas alertando ser proibido despejar lixo no local, mas também maior educação por parte dos moradores”, avalia a docente. Em outros pontos da cidade, o problema se repete. A reportagem percorreu vários bairros de Fortaleza onde identificou diversos focos de lixos.
 
Na Avenida Domingos Olímpio, uma das mais movimentadas de Fortaleza, caixas, sacos plásticos, entulhos e restos de alimentos se aglomeram ao redor dos postes da iluminação pública. No cruzamento com a rua Padre Mororó o acumulo já causa desconforto entre moradores e comerciantes. O lojista Mauro Savóia avalia que o principal problema, no entanto, “é a falta de conscientização por parte da população”. Em apenas dois quarteirões, a reportagem identificou três pontos de lixo. “Até há a coleta [de lixo], mas toda manhã é comum a gente flagrar várias pessoas depositando lixo e entulho ao longo da Avenida”, pontua Savóia.

Na Avenida Perimetral as queixas dos moradores são as mesmas. Moradora do bairro há 35 anos, a aposentada Marta Maria de Jesus, 70, conta que flagra, com periodicidade, pessoas despejando lixo no canteiro central da via. “Desde que moro aqui há essa imundice. De uns tempos para cá melhorou bastante, mas nunca vi essa Avenida limpa um só dia. Hoje mesmo passou o carro da coleta, mas veja como já está o canteiro, cheio de lixo”, critica. A aposentada corrobora com o pensamento do lojista Mauro Savóia e credita na população parte da culpa.
 
“O caminhão passa de manhã e poucas horas depois as pessoas chegam e jogam mais sacolas de lixo. Acho que se tivessem mais carros coletando o lixo e as pessoas fossem mais educadas aqui teríamos outra realidade”, finaliza.
 
Arte
 
Mapa colaborativo
 
Também enfrenta o mesmo problema no seu bairro? O mapa colaborativo abaixo mapeia os pontos de lixo em Fortaleza. Quer inserir o que está localizado próximo a sua casa? Nos envie pelo VC Repórter (85 989488712) fotos e o endereço detalhado do ponto de lixo para ser acrescentado no mapa.
 

 

Catadores
 

Se por um lado há quem critique os focos de lixo existentes na cidade, por outro há quem enxergue nos detritos uma oportunidade de tirar o sustento. Desempregado há sete anos, o pedreiro Manoel Oliveira, 52, passou a catar papelão nas ruas para driblar a falta de emprego. Por dia, de acordo com o autônomo, ele consegue apurar entre R$ 15 e R$ 30.
 
A variação, conforme explicação, “depende de quanto lixo há na rua”. “Pego papelão, plástico e ferro para reciclagem. O papelão, por exemplo, recebo R$ 0,10 a cada kg. Se tem muito lixo na rua, significa que vou apurar bem”, relata Seu Manoel. Embora os rejeitos representem seu sustento, o catador reconhece que os focos de lixo além de causar poluição ambiental e visual, podem transmitir inúmeras doenças à população.
 
Riscos
 
A médica Luana Barbosa alerta para as diversas doenças que podem ser adquiridas através do contato direto com o lixo. De acordo com ela, a transmissão ocorre devido à grande quantidade de animais atraídos pelo lixo. “Nesses pontos onde há grande aglomeração de dejetos, vários animais e insetos podem ser encontradas. Moscas, ratos, porcos e mosquitos são transmissores de inúmeras doenças. Verminoses, febre, cólera, dermatite de contato, tétano, hepatite A, dentre outras, são as mais comuns. É preciso eliminar rigorosamente esses pontos de lixo”, destaca.
 
Lei Municipal
 
Em 2015, entrou em vigor a Lei Municipal Nº 10.340/15 que dispõe sobre o descarte e destinação de resíduos sólidos por empresas. A lei determina que indústrias, empresas e equipamentos que produzam lixo acima de 100 litros por dia passam a ser responsáveis pela coleta e destinação dos próprios resíduos. Eles devem custear o processo de coleta, tratamento e destinação final, de acordo com a Lei Federal  Nº 12.305.
 
Serviço
 
Para alertar acerca da existência de pontos de lixo na cidade, ou denunciar descartes irregulares de lixo em locais inapropriados, a população pode entrar em contato gratuitamente com a Central de Fiscalização através do telefone 156, ou utilizar o aplicativo Central 156, disponível para Android e iOS.

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