Alerta

Período de chuvas aumenta o número de águas-vivas na orla de Fortaleza

Segundo o professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Soares, o fenômeno é rápido e só deve durar pelos próximos 10 ou 15 dias.

Já foram registradas evidências do surgimento das águas-vivas em Fortaleza (Praia do Futuro e Praia de Iracema), Pecém, Jericoacoara e Acaraú ( Foto: José Leomar )
16:05 · 18.04.2018 / atualizado às 16:20
Segundo farmacêutico do IJF, a queimadura causa irritação local, queimação, uma marca bem vermelha, além de dor e ardência. ( Foto: Creative Commons )
A Prefeitura de Fortaleza alertou, em seu perfil oficial na rede social Facebook, sobre o risco do aumento no número de águas-vivas no litoral da cidade. “É preciso ficar atento e, em casos de acidentes, lave com água do mar e procure imediatamente atendimento médico”, resume a publicação.
 
Os animais, cujos destinos são determinados por correntes marítimas, se alimentam, sobretudo, de plânctons. O quadro chuvoso vivenciado Fortaleza atualmente faz com que muitas bactérias se espalhem pelo litoral, explicando assim, o maior aparecimento dos animais.
 
Segundo o professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Soares, o fenômeno é rápido e só deve durar pelos próximos 10 ou 15 dias."As águas transportam nutrientes e o mar fica mais produtivo. Com mais alimentos à disposição, elas se reproduzem mais facilmente. Já foram registradas evidências do surgimento das águas-vivas em Fortaleza (Praia do Futuro e Praia de Iracema), Pecém, Jericoacoara e Acaraú", afirma Marcelo.  

Prefeitura de Fortaleza faz alerta
 

Como tratar?
 
O Hospital Instituto Dr José Frota (IJF) possui um Núcleo de Assistência Toxicológica que funciona 24 horas por dia, onde médicos e farmacêuticos podem orientar, por telefone, profissionais e pacientes que tenham se envolvido em acidentes com águas-vivas. Contudo, de acordo com o farmacêutico do Núcleo, Tiago Moura, as espécies que estão aparecendo em Fortaleza são mais leves, diferentes das de outras regiões do país.
 
“Ela causa irritação local, queimação, uma marca bem vermelha, além de dor e ardência”, destaca o farmacêutico. Além disso, as ocorrências são mais frequentes na região metropolitana da capital cearense. O tratamento é sintomático, à base de lavagem com vinagre, nos primeiros 15 minutos.
 
Se o atendimento for em um período em que já fizer muito tempo da queimadura, a toxina liberada pelo animal pode piorar, aumentando a sensação dos sintomas. É então que medicamentos, principalmente com corticoide, são recomendados, como pomadas. O Centro também oferece medicamentos.
 
Tiago reforça que o fator do quadro chuvoso não é o único que reflete no maior aparecimento das águas-vivas. Para ele, no entanto, é preciso repensar um maior controle sobre o nível fluvial da cidade, como o destino das águas, por exemplo com reaproveitamento. “Já amenizaria bastante os casos”, conclui.

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