Atenção Básica

Paralisação de médicos não altera funcionamento nos postos de saúde na Capital

Por unanimidade, os médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e odontólogos decidiram parar mais uma vez, em 17 e 18 de setembro

14:23 · 03.09.2018 / atualizado às 14:36
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Entre os 111 postos de Saúde, cerca de mil profissionais aderiram à paralisação, de acordo com o Sindicato dos Médicos do Ceará ( Foto: Saulo Roberto )

Profissionais da saúde que trabalham na Atenção Básica de Fortaleza paralisam, por 24h, as atividades nesta segunda-feira (3), em frente ao Paço Municipal. A decisão foi unânime, em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 2 de agosto, no Sindicato dos Médicos do Ceará. 

Ainda por unanimidade, os médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e odontólogos decidiram parar mais uma vez, em 17 e 18 de setembro. A paralisação de hoje não afetou, no entanto, o funcionamento de grandes postos de saúde na Capital.

No Posto de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, dois dos quatro médicos do turno da manhã aderiram à paralisação. Poucas filas foram encontradas pela reportagem, sobretudo na marcação de exames. Os pacientes foram avisados sobre remarcação de exames, mas outros serviços como pré-natal e vacinação estiveram disponíveis. 

Já no Posto Carlos Ribeiro, na Jacarecanga, onde na terça-feira passada (28), um tiroteio iniciado na rua acabou dentro do local, em uma perseguição da polícia a assaltantes, o cenário era calmo. Profissionais relataram que a equipe estava “normal”.

O Posto Paulo de Melo Machado, no bairro Monte Castelo, também teve serviços prestados com regularidade. A fila formada no espaço também era pequena. 

A decisão da paralisação, de acordo com o médico Antônio Leonel, deve-se a uma série de fatores. “Houve um aumento no número de postos sem um aumento no número de equipes. Com menos gente, as pessoas ficam mais vulneráveis. E é isso que gera a insegurança”, relata. Leonel já teve problemas com furtos próximo ao Posto de Saúde em que trabalha. Ele destaca ainda o caráter de sobrecarga emocional das equipes. 

Os postos de Saúde são vinculados ao Programa de Saúde da Família (PSF), onde o vínculo entre profissional e comunidade deve ser maior, em um atendimento continuado. “Esse modelo, do jeito que tá hoje, eu não chamaria de PSF, eu chamaria de ‘salve-se quem puder’”, complementa Leonel. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dr. Edmar Fernandes, há falta de proposta da Prefeitura em relação à insegurança nos Postos e ao reajuste salarial das categorias. “Já enviamos diversos ofícios, e inclusive tivemos duas conversas, mas nada se resolve. A gota d´água foi a retirada de guardas e vigias dos postos na capital. Ninguém aqui é a favor da paralisação, não queríamos, mas é o único jeito”, frisa.

"A gente é contra essa situação também, desgasta a gente e desgasta a população. Mas ninguém aguenta mais do jeito que está. Os médicos me ligam, com medo, estão até sofrendo de depressão, pedindo exoneração. Ninguém quer trabalhar assim", completa. 

O prefeito Roberto Cláudio respondeu que “se a disposição for levar a sério as conversas, o Município estará, como sempre esteve, aberto ao diálogo”. Ele lamentou que o movimento seja de caráter político e vinculado a candidatos. 

Entre os 111 postos de Saúde, cerca de mil profissionais aderiram à paralisação. A principal reivindicação, e de maior urgência, é a contratação de seguranças para os postos. Os três postos visitados pela reportagem detinham vigias desarmados e dando informações a pacientes. 

Em outra demanda, a salarial, a proposta é de 19% de reajuste no salário base dos médicos. Ainda não houve uma contraproposta. 

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