ACIDENTE

"Não recebemos nada, nem desculpas", diz família de jovem que salvou a filha antes de morrer

Parentes da vítima, morta em um acidente envolvendo um ônibus e um caminhão, afirmam que não receberam nenhum tipo de auxílio

20:26 · 12.09.2018 / atualizado às 21:10

A menina chora incessantemente por conta dos ferimentos que estão espalhados pelo corpo, ocasionados em um acidente no qual a família veio a ser informada pelos noticiários locais. Aos três anos de idade, ela, que é portadora de paralisia infantil, sobreviveu ao choque entre um ônibus e um caminhão, na manhã da última segunda-feira (18), no bairro Passaré. A mãe dela, no entanto, não teve o mesmo destino. Thaís Silva de Almeida morreu após um ato que pode ser considerado heróico, já que, antes da tragédia acontecer, entregou a filha nos braços de um religioso, como uma forma de salvar a menina do que viria a acontecer logo depois. 

Passado algum tempo da morte de Thaís Almeida, a família reclama da falta de assistência financeira e/ou psicológica dos órgãos públicos aos três filhos da jovem. "Não recebemos nada, nem desculpas. Nem auxílio da empresa de ônibus, nem de ninguém. Nada. A vida da nossa família mudou. O meu patrão foi quem deu o dinheiro para embalsamar o corpo da minha irmã, porque nós queríamos vê-la pela última vez", rememora a irmã da vítima, Sandra Silva.

Ela afirma que as crianças ainda não compreenderam bem o acontecido, e que, por isso, com a ajuda de uma amiga, está à procura de um serviço de atendimento psicológico para os sobrinhos, tendo como objetivo evitar um trauma futuro. "É difícil, pois a mãe era tudo para eles", ressalta a tia, que menciona a dificuldade enfrentada pela família atualmente. "O marido da minha irmã está desempregado, só faz bico. Quem ajudava eles era a nossa mãe e os parentes. A partir de agora vai ser difícil, mas onde como um, come todos".

A reportagem entrou em contato com o Sindiônibus e com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para saber informações referentes ao suporte psicológico e/ou financeiro dado à família da vítima e às investigações do caso. A SSPDS reenviou a nota divulgada no dia do acidente e acrescentou que entrará em contato com a delegacia que apura o ocorrido e, amanhã, caso tenha atualização que possa ser divulgada, falará sobre o assunto. O Sindiônibus não se pronunciou oficialmente até a publicação desta matéria.

O acidente

De acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), foi apurado no local do acidente que "o motorista do caminhão estava parado na faixa exclusiva de ônibus esperando o fluxo de veículos diminuir para que ele pudesse manobrar e entrar em um galpão. O coletivo se chocou na traseira do caminhão e, com o impacto, uma passageira morreu".

O órgão afirmou, ainda, que aguarda o resultado da investigação a ser realizada pela Polícia Civil, que determinará o motivo do sinistro. A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) revelou que o motorista do ônibus trafegava a 49Km/h, abaixo da velocidade máxima permitida da via, que é de 60Km/h.

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