Consumidor

Greve dos Correios paralisa serviço por tempo indeterminado

Os trabalhadores do Ceará, além de pressionar a decisão do TST sobre as mudanças no plano de saúde da empresa, buscam denunciar as condições de trabalho

15:24 · 12.03.2018 / atualizado às 16:05
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A empresa afirma que a greve é um direito do trabalhador, mas que "um movimento dessa natureza, neste momento, serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada pela qual passam os Correios" ( Fernando Frazão/ Agência Brasil )
Iniciada às 22 horas deste domingo (11), a greve dos trabalhadores das agências dos Correios paralisa as atividades dos funcionários de todo o País por tempo indeterminado. 
 
O principal motivo da paralisação é o aumento das taxas mensais do plano de saúde da empresa, a ser votada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), consideradas pelos grevistas incompativelmente altas em relação aos seus salários. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares do Estado do Ceará (Sintect-Ce), além de denunciar a má administração financeira da empresa, sua intenção de fechar agências e demitir funcionários, a greve ainda busca salientar as más condições de trabalho evidenciadas pelos últimos incidentes nas agências do Estado.
 
Situação agravada
 
A empresa afirma que a greve é um direito do trabalhador, mas que "um movimento dessa natureza, neste momento, serve apenas para agravar ainda mais a situação delicada pela qual passam os Correios e afeta não apenas a empresa, mas também os próprios empregados". 
 
Em nota, os Correios declararam que o plano de saúde, principal pauta da paralisação, foi discutida "exaustivamente com as representações dos trabalhadores, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho", seguindo agora para julgamento. A empresa alega que já não consegue sustentar as condições do plano, "concedidas no auge do monopólio", quando os Correios tinham capacidade financeira para arcar com esses custos.
 
Más condições
 
Para os trabalhadores, o plano de saúde é apenas um dos fatores que atestam a realidade de más condições de trabalho que vivem agentes de todo o Brasil. 
 
Segundo Avelino Rocha, um dos diretores do Sintect-Ce, "a própria Controladoria Geral da União apontou indícios da má administração e gestão financeira da empresa". 
 
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Em relatório publicado em outubro de 2017, a CGU avalia o exercício da empresa e constata que "apresentou crescente degradação na sua capacidade de pagamento no longo prazo (Liquidez), aumento do endividamento e da dependência de capitais de terceiros e, principalmente, redução drástica de sua rentabilidade, com a geração de prejuízos crescentes, a partir do exercício de 2013".
 
Segundo o diretor, a greve é motivada, além da cobrança de mensalidades e retirada de dependentes do plano de saúde que vai "defasar o salário dos agentes", pela intenção da empresa de "fechar 2.500 agências no País e demitir os atendentes comerciais, pela terceirização do setor de triagem e transbordo, o setor que teve o incêndio em fevereiro, a não realização de concurso público desde 2011 e o baixíssimo número de funcionários". Avelino ressalta: "A greve é por tempo indeterminado, caso o TST decida a favor dos trabalhadores, a assembleia decide quando voltamos".
 
Situação dos consumidores 
 
Devido aos prejuízos causados pelo incêndio, os serviços de entrega já estavam comprometidos. Com a greve, a situação pode piorar. Para quem espera boletos de pagamento, extratos de cartão e/ou outro compromisso que dependa da remessa da empresa, o Procon recomenda que os consumidores busquem, alternativamente, o contato com o seu credor (banco, administradora de cartão, dentre outros), para que indiquem uma linha alternativa de quitação do seu compromisso financeiro. 
 
"Caso não seja disponibilizado um canal para resolução da questão os consumidores podem registrar sua reclamação no Procon Fortaleza, no sentido de que o Órgão possa tentar solucionar a questão por meio de linha direta", informou o órgão. 
 
No caso de correspondência, o consumidor deve comprovar dano material ou prejuízo causado pela demora, exigindo eventual reparação. Para produtos em depósito nos Correios, o consumidor pode exigir reparação caso fique configurado eventual prejuízo em razão da demora, ou então, exigir do fornecedor a entrega do produto por fonte alternativa.

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