Educação

Gestão das Emoções deve ser trabalhada em sala de aula, defende educador

Em palestra na Capital, o escritor Augusto Cury defende uma metodologia que incentive o uso do debate, questionamentos e reflexões, baseado no conceito de um pensamento antidialético

14:11 · 01.09.2018 / atualizado às 14:34
Cury
Promovido pela Escola da Inteligência (ei), o 5º Fórum de Educação Socioemocional reuniu educadores para discutir práticas assertivas em sala de aula, tendo como base a busca por uma educação integral, a partir da formação do cidadão crítico e consciente ( Foto: Renato Bezerra )

"Vocês devem provocar os alunos, ensinar não é mais transmitir informação, ensinar é dar um bilhete de passagem para os alunos fazerem a mais importante viagem, uma viagem para dentro do seu". A afirmação foi apenas uma das premissas trabalhadas pelo escritor,psiquiatra e educador Augusto Cury, durante o 5º Fórum de Educação Socioemocional, realizado no Colégio Christus, em Fortaleza.

Promovido pela Escola da Inteligência (ei), o encontro reuniu educadores para discutir práticas assertivas em sala de aula, tendo como base a busca por uma educação integral, a partir da formação do cidadão crítico e consciente. Para isso, Augusto Cury defende uma metodologia que incentive o uso do debate, questionamentos e reflexões, baseado no conceito de um pensamento antidialético, considerado o mais completo. 

"Muitas vezes ao tentar encontrar respostas para solucionar seus conflitos se você usar o pensamento errado, o pensamento dialético, a capacidade de encontrar respostas inteligentes vai ficar comprometida. O pensamento simbólico, o dialético, presta para ler, escrever, para estabelecer alguns diálogos, mas não os mais profundos, não a leitura dos seus conflitos. Para ler conflitos voce precisa de muito mais", afirma o escritor.

Conforme Augusto Cury, é preciso, no entanto, que os professores provejam o pensamento antidialético de maneira inteligente, sabendo trabalhar a gestão das emoções. "Ensinar é perguntar, é questionar é instigar, porque os alunos estão desenvolvendo coletivamente a síndrome do pensamento acelerado, então quando vocês falam de maneira dialética ele ja processou dez pensamentos. Você transmitiu uma informação e ele já está em qualquer outro lugar, mas não na sala de aula. Agora se você provoca constantemente perguntando, instigando, emocionando seus alunos, você cria pontes, então melhora a concentração, o rendimento intelectual e o raciocínio esquemático", explica.

A construção de emoções saudáveis nas pessoas, ainda segundo o escritor, parte do princípio de pais e professores saberem elogiar, até mesmo pequenos comportamentos diários, ao invés de apenas apontarem erros e falhas, o que acaba dificultando a formação de mentes brilhantes.

"Nós somos treinados para observar defeitos. Estamos viciados em valorizar o erro e uma dos motivos de termos aumentado em 100% o índice de suicídio entre crianças de 10 a 14 anos, nos ultimos 10 anos, é que pais e os professores não tem gestão das emoções, estão aptos para apontar falhas, mas são lentos para elogiar e promover", destaca.

A Escola da Inteligência é considerada o maior Programa mundial de ensino de habilidades socioemocionais e, atualmente, atende mais de 330 mil alunos em escolas de todo Brasil. Entre as vantagens do Programa, estão o gerenciamento das emoções e desenvolvimento da inteligência, melhoria do rendimento escolar e do aprendizado, e a habilidade para construir relações saudáveis a administrar conflitos. 

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