Divindade

Festa de Iemanjá reúne milhares na Praia do Futuro

Este ano, a festa tem como tema “Iemanjá em Defesa da Vida e dos Direitos Humanos”

15:25 · 15.08.2018 / atualizado às 16:37
O agradecimento à Iemanjá é, tradicionalmente, manifestado pelas oferendas, em sua maioria lançadas ao mar no fim da tarde. ( Fotos: Natinho Rodrigues )

O feriado de 15 de agosto também foi palco das celebrações em homenagem a Iemanjá, levando milhares de adeptos do movimento de Umbanda de várias regiões do Ceará à orla da Capital. As festividades do dia organizadas pela União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum), que este ano chegam a sua 53ª edição, tiveram início às 9 horas, com o cortejo que levou a imagem da Rainha do Mar do Centro à Praia do Futuro

Este ano, a festa tem como tema “Iemanjá em Defesa da Vida e dos Direitos Humanos”, que segundo explica a vice-presidente da Uecum, Tecla de Sá Oliveiram, significa a luta pela manutenção do direito à vida, a saúde, assim como os direitos institucionais. “Como os de poder sair com as nossas roupas, nossas vestes e nossas guias nas ruas e não sermos xingados, apedrejados, dá gente poder fazer o nosso ritual sagrado, pois é um direito nosso”, afirma.

A programação na Praia do Futuro conta com apresentações culturais e tenda de acolhimento com rezas e oferta de bênçãos. Enquanto a imagem de Iemanjá participava do cortejo pelas ruas do centro, diversos grupos já festejavam nas areias da praia ao som de tambores e cânticos à divindade. Caracterizados com roupas brancas e adereços azuis e brancos, os participantes - entre mães de santo, pais de santo e demais simpatizantes da cultura africana - agradeciam por graças alcançadas.

Esse agradecimento também é, tradicionalmente, manifestado pelas oferendas à mãe de todos os orixás, que em sua maioria devem ser lançadas ao mar no fim da tarde, encerrando a programação. Entre os presentes, são esperados muitas flores, rosas, frutas e perfumes. “É um ato de louvação. Muita gente agradece por promessas alcançadas, como emprego ou até mesmo pela saúde”, destaca Tecla de Sá Oliveira.

Este foi o primeiro ano em que a festa de Iemanjá foi realizada como patrimônio cultural imaterial de Fortaleza. O reconhecimento, através da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), aconteceu em setembro de 2017, importante marco na luta por mais respeito aos movimentos religiosos africanos.

Uma luta que, no entanto, permanece ano a ano, segundo o representante da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro) de Fortaleza, Baba Fábio de Oxossi. “Lutamos muito contra o racismo social, religioso, a intolerância religiosas e às agressões que vem ao longo desse tempo aos Baba Orixás, aos sacerdotes, mães de santo e afins. Reivindicamos nosso direito de professar nossa religiosidade sem nos esconder”, diz.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.