polariscópio Gomes

Estudante cearense cria aparelho para avaliar pedras preciosas

"É uma coisa inédita. Até onde a gente sabe, aqui no departamento (que vai fazer 50 anos, em 2019), nunca alguém criou um aparelho na área de geologia", revela Isaac Gomes, criador do equipamento

Isaac Gomes, criador do aparelho, e Tereza Neri, coordenadora do Laboratório de Gemologia da UFC ( Foto: Viktor Braga/UFC )
13:32 · 13.09.2018

Verdadeira ou falsa? Essa é a principal questão que surge quando o assunto são pedras preciosas. Na intenção de verificar a autenticidade das peças — bem como outros usos — foi que Isaac Gomes, estudante de Geologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), desenvolveu um aparelho, batizado de “polariscópio Gomes”.

“Em 2016, eu estava no laboratório catalogando algumas coisas, e do nada veio essa ideia na minha cabeça. É uma coisa inédita. Até onde a gente sabe, aqui no departamento (que vai fazer 50 anos, em 2019), nunca alguém criou um aparelho na área de geologia”, orgulha-se o jovem que é participante do Laboratório de Gemologia da UFC.

Além de inovadora, a ideia de Isaac tem se mostrado eficaz. Por esses motivos, o universitário já entrou com o processo de patenteamento do aparelho — que caminha a bons passos. “Já passou todos os trâmites legais, e agora falta só a parte de burocracia do Governo Federal, mas já está tudo aprovado.”, revela o jovem que completa informando que "a previsão para obter o título de “inventor oficial” do objeto é no meio de 2019”, revela o futuro geólogo.

O equipamento “traz uma evidência a mais, e com isso, não é preciso passar pela fase de microscópio, pois já se vê que são imitações, podendo ser uma gema de menor valor ou até vidro”, comenta a professora Tereza Neri, coordenadora do Laboratório de Gemologia.

Em relação à aceleração garantida pelo “polariscópio Gomes”, o próprio inventor comenta os benefícios acadêmicos da criação. “Eu estou terminando meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) agora, e estou utilizando amostras do laboratório. E analisar a gema na minha máquina é super rápido, em torno de cinco a dez minutos”, em relação ao processo de caracterização da gema — que demora uma média de duas horas para ser realizado por completo.

Apesar da contribuição acadêmica, o equipamento não substitui o atual aparelho (refratômetro). “Mas uma pessoa do comércio que vai montar em sua casa um mini-laboratório não precisaria ter dois instrumentos, podendo ter um só. Isso é importantíssimo”, complementa a professora.

“Por exemplo, o diamante não deixa passar luz. Então, seria algo útil na minha máquina, porque você comprovaria que não deixa passar. Mas outras pedras, elas deixam passar luz. Por exemplo, o rubi ele deixa passar luz. Então, se colocar na máquina, e não passar, você já descarta a possibilidade de ser rubi”, finaliza Isaac Gomes, ao explicar sobre o uso e funcionamento do “polariscópio Gomes”.

(Colaborou Samuel Pinusa)

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