Cultura

Encontro das Comunidades Ciganas do Ceará discute problemas que afligem etnia

Segundo o presidente da Asprecce, Rogério Ribeiro, os ciganos estão presentes em 36 municípios cearenses, com um número de 4 a 5 mil em todo o estado e 400 só em Sobral

19:14 · 24.05.2018 / atualizado às 20:13
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Considerado um marco para os ciganos do Ceará, o encontro reúne pessoas da etnia que residem em Sobral, Icapuí, Fortaleza, entre outros municípios ( Foto: Cid Barbosa )

Em comemoração ao Dia Nacional do Cigano, a Associação de Preservação da Cultura Cigana do Estado do Ceará (Asprecce), promove o I Encontro das Comunidades Ciganas do Estado do Ceará, onde acontecem rodas de conversas, oficinas e palestras cujo debate será a atual situação das comunidades ciganas no Estado e suas perspectivas para o futuro. O encontro acontece em Caucaia nesta quinta-feira (24) e sexta-feira (25), tendo início às 9h e terminando ao fim da noite. 

Considerado um marco para os ciganos do Ceará, o encontro reúne pessoas da etnia que residem em Sobral, Icapuí, Fortaleza, entre outros municípios. O tema “Preservar a cultura e resgatar as Tradições”, busca fortalecer o intercâmbio entre as comunidades ciganas do Ceará e o acesso às políticas públicas, como educação. 

Segundo o presidente da Asprecce, Rogério Ribeiro, os ciganos estão presentes em 36 municípios cearenses, com um número de 4 a 5 mil em todo o estado e 400 só em Sobral

Exigências

De acordo com Rogério, nesta sexta-feira (25), uma carta intitulada "Ceará Cigano" será emitida para as prefeituras do Estado, para o Governador Camilo Santana, além do presidente da república brasileira, Michel Temer. 

A primeira exigência solicitada será a Camilo Santana, com o pedido de um concurso público fechado para as comunidades tradicionais (ciganos, indígenas, quilombolas etc), além de uma escola para o povo cigano. "Nós já sabemos que é alto o índice de analfabetismo entre os ciganos, apesar de que agora muitos são fixos, já estão virando urbanos, muitos infelizmente estão se negando a viver como ciganos até pela condição de arrumar emprego: quando falam que são nômades pela sua etnia, já tem aquele olhar estranho", lamenta o presidente da Asprecce.

Outra exigência será a execução de uma política pública que não deixe a cultura cigana acabar. "Estamos buscando o que os quilombolas e indígenas buscaram, mas nós estávamos na invisibilidade e isso dificultou", relata Rogério. 

O presidente da Asprecce afirmou, ainda, que atualmente não existem, no momento acampamentos de ciganos no Ceará. "Os ciganos agora têm sua casa, pois são comerciantes, as mulheres leem maos, jogam baralho, então eles estão deixando serem nômades, até porque estão pensando nos estudos dos filhos e dos netos". 

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