Minorias

Dandara dos Santos é homenageada por quadrilha junina de Russas

A encenação foi protagonizada por Cíntia Freitas, rainha da quadrilha Girassol do Sertão e mulher transexual.

17:08 · 03.06.2018 / atualizado às 08:03 · 04.06.2018
Girassol do sertão
A Girassol do Sertão estará se apresentando na Região Metropolitana de Fortaleza no dia 14 de junho, durante o festival Jangadeiro Junino, que acontece no Maracanaú. ( Foto: Marcelo Laurentino )
Dandara dos Santos ainda está presente e vive nos corações de quem luta pelo fim dos preconceitos. A travesti que foi espancada até a morte no ano passado, recebeu uma homenagem da quadrilha Girassol do Sertão, do distrito de Flores, em Russas, através da coreografia encenada pelo grupo. 
 
O vídeo, que tem circulado nas redes sociais e emocionado a quem assiste, mostra Cíntia Freitas, rainha da quadrilha e mulher transexual, representando Dandara em seus últimos momentos de vida. Na coreografia, três homens cercam Cíntia e fazem gestos de violência. Após isso, outro rapaz traz um carrinho de mão e colocam Cíntia dentro, assim como fizeram com Dandara pouco antes de sua morte. Pouco depois, Cíntia aparece em um palco, produzida com um vestido azul, e grita "Dandara presente! Parem de nos matar! Eu sou Cíntia Freitas, mulher trans, e eu faço parte desta sociedade!"
 
De acordo com Alex Xavier, presidente da Girassol do Sertão, o objetivo da homenagem é "dar um tapa na cara", e mostrar como a comunidade LGBT ainda é vítima de preconceito e descrença. 
 
Cíntia Freitas, que encenou a travesti tragicamente assassinada, dança pela Girassol do Sertão desde 2009, mas como mulher trans, só começou em 2014. Este é seu primeiro ano como rainha. "Não colocamos ela só pelo tema e pela representatividade. Cíntia é uma das meninas que dançam melhor e cativou o nosso grupo. A rainha é a mulher mais bonita de toda a quadrilha e sabemos do risco que isso teria por morarmos no interior, com uma cultura tradicional. Mas apostamos", conta Alex, revelando que o grupo se livrou de seu próprio preconceito.
 
Apesar do receio, o presidente conta que o resultado não poderia ter sido melhor. A estreia foi dia 31, na quadra da escola Maria de Lourdes. Durante a homenagem à Dandara, o público aplaudiu de pé. "Adriano Mendes, nosso coreógrafo que é idealizador de 90% desse trabalho, sempre foi muito atrevido, e eu tentei segurar porque tinha muito medo da aceitação do povo e dos jurados dos concursos que participamos. Na nossa estreia, o público abraçou nossa apresentação de forma tão espetacular, pareciam que estavam na quadra. Para nós é muito recompensador, independente do resultado, é um sentimento de dever cumprido", conta Alex. 
 
O tema
 
Esse é o décimo ano de atividade do grupo. Para 2018, a ideia era a escolhe de um tema atual, que retratasse a realidade e representasse os nordestinos. Segundo Alex, o objetivo era atuar como objetivo de transformação e com isso, surgiu o tema "Minha manifestação cultural também é politica", em que foram retratadas  todas as minorias. "Criticamos a desvalorização da mulher, negros, pobres, gordos e mães solteiras. O que a gente busca é que haja uma representatividade dessas classes excluídas, já que o nosso nordeste é formado pelas minorias e com esse trabalho fizemos com que cada um se sinta representado e que possa gritar".  
 
A Girassol do Sertão estará se apresentando na Região Metropolitana de Fortaleza no dia 14 de junho, durante o festival Jangadeiro Junino, que acontece no Maracanaú. 

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