Sejus

Curso de jardinagem prepara ex-detentos para o mercado de trabalho

As aulas formaram 45 jardineiros em dois anos

15:01 · 12.01.2018
Com o objetivo de auxiliar a inserção no mercado de trabalho, a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) oferece um curso de jardinagem para 20 egressos do sistema penitenciário, através da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe). As aulas começaram nesta segunda-feira (8) e se estenderão por 25 dias.
 
A primeira semana do curso será direcionada ao aprendizado teórico, enquanto as demais aulas serão práticas, totalizando uma carga horária de 100 horas ministradas pela manhã. As lições práticas serão aplicadas no Horto Municipal Falconete Fialho, no bairro Passaré. "Lá são ensinadas todas as técnicas de jardinagem, plantio, transplante de plantas e cuidados. A partir disso, eles executam jardins no próprio Horto. A ideia é que eles se qualifiquem nessa profissão que tem carência no mercado", explica Cristiane Gadelha, coordenadora da Cispe.
 
A ação teve início em 2015, e foi pensada a partir da necessidade de contratar jardineiros para a Sejus. Segundo Cristiane Gadelha, os egressos do sistema penitenciário se sentem motivados pela possibilidade de qualificação para começar a trabalhar. "A gente estudou um formato de curso menor, mas com muita aula prática. Em dois anos, a gente conseguiu encaminhar 45 pessoas para vagas de carteira assinada. A própria Sejus também contrata jardineiros para cuidar da sede", revela.
 
Recomeço
 
Para o egresso Edson da Silva, que participou do curso em 2015 e hoje trabalha como jardineiro pela Prefeitura de Fortaleza, uma oportunidade pode mudar a vida de quem precisa recomeçar. "Estava atrás de emprego desde 2014 e, nas entrevistas, depois de todo o processo, quando perguntavam pelo meu título e eu dizia que tinha problemas na justiça, eles diziam 'então tá bem, pode aguardar nossa ligação', mas nunca ligavam."
 
Edson ressalta que, ao sair da situação de reclusão, egressos como ele não têm ideia do que fazer, nem para onde ir. "Você fica perdido, saiu de um lugar que não é bom, só quer viver na paz, na tranquilidade, comprar a comida pros seus filhos no fim do mês", revela. Hoje, ele trabalha cuidando do Horto Municipal e de praças da cidade, ciente de que não é a regra, e, sim, a exceção: "Esse apoio é muito importante, a gente precisa dessa oportunidade. Seria bom que houvesse para mais gente".
 
Formação
 
A Cispe organiza, também, outros cursos profissionalizantes ao longo do ano, como o de gastronomia, que acontece às terças e quintas com aulas de preparação de pães e bolos. A partir de março, terão início os cursos em presídios para a formação de eletricistas e bombeiros.
 
Os alunos em formação recebem vale-transporte, material didático, cesta básica mensal e fardamento. O curso é realizado em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e o setor de Manutenção de Praças, Canteiros e Passeios da Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor).

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