INFRAESTRUTURA

Ciclistas enfrentam obstáculos diários no trânsito de Fortaleza

Pelo menos 19 ciclistas morreram após se envolverem em um acidente, no ano passado. É o que revela os dados apresentados pelo Observatório de Segurança Viária (OSV), da Universidade de Fortaleza

08:00 · 19.08.2018 / atualizado às 19:27 · 20.08.2018
Ciclistas e os desafios
Carros em cima da faixa destinadas aos ciclistas são alguns dos desafios enfrentados ( Foto: Kid Jr )
Embora haja expansões relacionadas à malha cicloviária, basta andar e observar as diferentes áreas de Fortaleza para perceber que nem todas elas são assistidas da mesma forma. Devido a ausência do que poderia ser trabalhado ainda no período escolar, a cordialidade e a educação dos motoristas no trânsito ficam para trás quando os condutores dos veículos menores, que deveriam ser protegidos pelos maiores, são desrespeitados. Se na área nobre elas ganham espaço, na periferia faltam placas sinalizadoras indicando o espaço destinados aos ciclistas
 
De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), desde 2012, houve uma ampliação de 240% na rede cicloviária. Antes com 68,2 quilômetros de vias adequadas para os ciclistas, hoje, a capital cearense tem 232,5 quilômetros de infraestruturas cicloviárias, sendo 103 deles de ciclovias; 125,5 de ciclofaixas; 3,9 de ciclorrotas; e 0,1 de passeio compartilhado.
 
A pasta destaca que, atualmente, pelo menos quatro programas de compartilhamento de bicicletas fazem parte do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza (PAITT). Um dos mais antigos, o Bicicletar realizou mais de dois milhões de viagens, deixando de ser emitidas mais de 757 toneladas de gás carbônico na atmosfera, já que esse seria o montante produzido caso as viagens fossem realizadas por carros. Já o Mini Bicicletar, lançado em 2017, anota hoje em dia mais de 11 mil viagens.
 
Lançado em 2016, o Bicicleta Integrada é pioneiro no Brasil, pelo Foco da Integração com o Transporte Público, com estações em todos os terminais de Fortaleza. Já o Bicicletar Corporativo, que está em fase inicial, dispõe de 40 bicicletas, que estão distribuídas em seis pontos de retirada e devolução. O objetivo deste último é conscientizar as empresas e instituições da Capital a promoverem ações de estímulo ao ciclismo com seus funcionários e clientes.

Segurança

Em 2017, o Instituto Doutor José Frota (IJF) atendeu 2.837 pedestres e ciclistas que sofrearam acidentes de trânsito. Dados apresentados pelo Observatório de Segurança Viária (OSV), da Universidade de Fortaleza (Unifor), apontam que, no ano passado, pelo menos 19 ciclistas morreram após terem se acidentado. O número representa um total de 7,4% dos 256 óbitos envolvendo motociclistas, pedestres e ciclistas que aconteceram no mesmo período.

O voluntário do projeto BikeAnjo, Murilo Viana, percebe que houve um avanço relacionado às ciclofaixas, entretanto, para ele, os equipamentos não dão aos ciclistas a estrutura devida. "Eu ando pelo bairro Benfica, às vezes pelas avenidas Bezerra de Menezes e Domingos Olímpio, e percebo que houve, sim, um avanço relacionado à malha cicloviária. Foi uma expansão considerável e muito importante, porém elas não nos favorecem como gostaríamos", disse.
 
Para o servidor público, a gestão municipal investe na expansão das ciclofaixas, mas não se preocupam com a qualidade destas. "Nós vemos muitas ruas esburacadas. A própria Bezerra de Menezes está começando a ficar desgastada. Realmente, as condições não são propícias aos ciclistas". 
 
Murilo Viana acredita que eventos recorrentes como ultrapassagens indevidas, bem como buzinadas de carros e motos são fatores motivados pela falta de uma educação destinada para o trânsito. "Na teoria, os veículos maiores deveriam priorizar os pedestres e ciclistas. Na prática, isso não acontece. Isso poderia ser ensinado na escola, inclusive. No dia a dia, nós nos sentimos verdadeiros intrusos. Às vezes, não precisa encostar para que uma pessoa que está guiando uma bicicleta se desequilibre. Dependendo da velocidade que o carro esteja, a força do vento pode nos derrubar. Os condutores poderiam nos ver de uma outra maneira. Se eles reparassem que a cada bicicleta na rua significa um carro a menos no trânsito, possivelmente nos tratariam melhor", concluiu.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.