Cautela

Ceará tem proteção natural contra febre amarela, mas Aedes aegypti pode ser vetor

Robério Leite, infectologista do Hospital São José, afirma que Estado se encontra em situação confortável, mas tem características que podem facilitar possível propagação da doença

10:47 · 13.01.2018 / atualizado às 11:16
vacina
Pessoas com viagem marcada para áreas com recomendação de vacina devem se imunizar. Lista com as regiões que exigem proteção está disponível no site do Ministério da Saúde. ( Foto: José Leomar )

Os episódios de morte de macacos por febre amarela em parques de São Paulo registrados nos últimos meses voltaram a preocupar os cearenses e o restante do País sobre o ressurgimento de casos urbanos da doença. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o infectologista pediátrico Robério Leite, do Hospital São José (HSJ), destacou que o Ceará possui barreiras naturais contra o surto da infecção na Região Sudeste, mas que o risco de ocorrências não é zero. 

De acordo com o boletim divulgado na última terça-feira (9) pelo Ministério da Saúde, desde julho do ano passado até o dia 8 deste mês, foram confirmadas 11 ocorrências de febre amarela e 4 óbitos no Brasil, sendo 2 em São Paulo, 1 em Minas Gerais e 1 no Distrito Federal. O Ceará não tem registros. 

Segundo o especialista, a teoria mais aceita por pesquisadores sobre o recente aumento de casos no Sudeste é a existência de corredores ecológicos com a presença de primatas não humanos por onde tem circulado o vírus da doença no País. 

"Ao que parece, a Região Nordeste tem condições naturais para que esse surto não chegue. Temos uma proteção natural em relação a isso, então nossa situação é mais confortável nesse ponto de vista", ressalta Robério. 

No entanto, o infectologista observa que o Ceará já teve epidemia de febre amarela no século 19, mostrando que o Estado possui características facilitadoras de propagação da doença. Conforme documentos do Instituto do Ceará, os primeiros casos da doença foram registrados em 1851, em municípios como Quixeramobim, Baturité, Pacatuba, Aquiraz e a própria Capital

A existência de um vetor potencial no Estado, Aedes aegypti, também contribui para uma possível disseminação da doença. "Não podemos dizer que o risco é zero. Porque, com a presença e o descontrole em relação em relação ao Aedes, o Estado importar casos e, a partir daí, estabelecer um vínculo epidemiológico não é impossível de acontecer", diz Robério Leite. 

Vacinação

Diante do cenário favorável, o infectologista destaca que a única prevenção é a imunização de pessoas que devem viajar para áreas de recomendação da vacina. Neste ano, o número de locais que exigem proteção foi ampliado, abrangendo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia. A lista completa de municípios com indicação está disponível no site do Ministério da Saúde

Para quem pretende se ir a um desses destinos, a vacina contra a Febre Amarela é disponibilizada nas seguintes unidades de saúde de Fortaleza: posto de saúde Paulo Marcelo (Centro); Centro de Saúde Escola Meireles (Meireles); posto de Saúde Robero Bruno (Fátima) e posto de Saúde Messejana (Messejana).

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