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Ceará reduz em quase 30% o número de inscritos para o Enem

No Brasil, foram quase 2 milhões de inscrições a menos em comparação ao ano passado

18:49 · 11.10.2017 / atualizado às 19:42
Enem
A participação no Enem não mais garante a entrega do certificado de conclusão do Ensino Médio. Muitos alunos se inscreviam unicamente por esse objetivo e, agora, não contam mais com esta motivação. (Foto: Reprodução)

O Estado do Ceará teve uma redução no número de inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2016, 515.601 pessoas efetuaram a inscrição no Estado, representando 5,6% do total no país. Neste ano, foram 365.253 inscritos - uma redução de 29% em relação a 2016.  

Em contrapartida, a Secretaria de Educação (Seduc) afirma que houve um aumento nas inscrições do Enem em 2017 na rede pública estadual de ensino. Um total de 99,51% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio se inscreveu no exame, totalizando 101.797 estudantes. Em 2016, foram 98% de inscritos.

O órgão afirma que são desenvolvidas ações pedagógicas para o fortalecimento da preparação de educadores e alunos ao longo do Ensino Médio. 

O Projeto Enem Chego Junto, Chego Bem foi lançado pela Seduc com a finalidade de mobilizar, motivar e preparar os alunos da rede pública estadual para a realização Exame. 

Já no Brasil, no ano passado, 8.627.195 pessoas se inscreveram para o Enem, enquanto nesse ano foram 6.731.203, o que representa uma diferença de quase 2 milhões de pessoas a menos.  

Fatores determinantes 

Para Marco Aurélio de Patrício Ribeiro, doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7), há quatro possíveis explicações para a queda do número de inscritos. A primeira delas é que a participação no Enem não mais garante a entrega do certificado de conclusão do Ensino Médio. Muitos alunos se inscreviam unicamente por esse objetivo e, agora, não contam mais com esta motivação. 

"O segundo fator é que existe hoje uma infestação de cursos oferecendo ensino à distância. O principal alvo são alunos de classes C e D. Está sendo vendida a ideia de que o ensino à distância é uma boa coisa, e isso tem feito com que algumas pessoas desistam do Enem em troca de uma vaga de ensino à distância, a um preço que elas possam pagar. Alguns desses cursos nem têm processo seletivo, requerendo apenas uma redação, como é permitido pelo MEC", explica o professor Marco Aurélio. Ele salienta que no ensino à distância, ao contrário de cursos presenciais, não há limite de vagas. 

Outra explicação seria a crise econômica. Algumas pessoas desistem da possibilidade de ingressar no Ensino Superior para tentar oportunidades diretamente no mercado de trabalho. "Devido à crise, o pai e a mãe perdem o emprego, e então aquele jovem que queria fazer a faculdade é obrigado a providenciar a renda", acrescenta o doutor em Psicologia. 

O professor Marco Aurélio descreveu uma última situação que acomete alguns estudantes brasileiros: "Também existe uma descrença em relação à uma vida melhor tendo Ensino Superior. O jovem hoje sabe que essa lógica de que quem estuda muito tem melhor renda não é verdade. É uma desilusão com o Ensino Superior", declara o professor.

Nome social 

Os transexuais que desejarem ser reconhecidos por sua identidade de gênero no momento de aplicação das provas do Enem podem utilizar o nome social. Em 2016, 407 pessoas utilizaram este atendimento, 7 destas no Estado do Ceará. Neste ano, porém, o número de pessoas caiu para 303, sendo 13 do Ceará. 

"Do ano passado para cá, a gente teve uma piora nos casos de violência contra as mulheres e os homossexuais. As pessoas temem usar o nome social, com medo de alguma repercussão negativa, de serem vítimas de preconceito ao entrar no concurso e na universidade. À medida que a nossa sociedade acordar para a necessidade de se respeitar o outro, a tendência é que as pessoas possam usar o nome social em todos os lugares", diz o professor Marco Aurélio. 

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