Arboviroses

Casos de dengue e chikungunya caem mais de 90% em Fortaleza em 2018

A chikungunya, cuja explosão se deu no ano passado, tem 361 casos confirmados e nenhum óbito

08:53 · 27.05.2018 por Nícolas Paulino, repórter
Dengue
O cuidado com a água parada segue importante em Fortaleza para evitar a proliferação das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti ( Foto: Arquivo Diário do Nordeste )

As arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti continuam sendo registradas em Fortaleza, mas a incidência é bem menor à registrada em 2017. Até o dia 12 de maio deste ano, foram confirmados 556 casos de dengue na Capital, com cinco óbitos. A chikungunya, cuja explosão se deu no ano passado, tem 361 casos confirmados e nenhum óbito.

Os dados são do último Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Em comparação com os quatro primeiros meses do ano passado, houve redução de 94,8% nos casos de dengue, e de 98,9% nos de chikungunya. Em 2017, de janeiro a abril, foram confirmadas 10.631 ocorrências de dengue, e 34.079 de chikungunya.

Até agora, em 2018, a Regional I é a que possui maior concentração de casos confirmados das duas doenças, com 194 de dengue e 77 de chikungunya. Em seguida, vem a Regional V, com 128 casos de dengue e 110 de chikungunya. Os bairros com maior incidência da dengue são a Barra do Ceará (46), Cristo Redentor (40) e Jangurussu (39). Já a chikungunya tem mais confirmações no Cristo Redentor (23), na Barra (13) e no Conjunto Ceará I (21). Nos dois casos, 35 dos 119 bairros da Capital não informaram nenhum caso.

Analisando o perfil dos contaminados, nota-se que a faixa etária dos 16 aos 50 anos tem o maior número de confirmações. As mulheres também são maioria, com 214 infectadas pela chikungunya, contra 147 homens; e 302 pela dengue, contra 253 homens.

Ações

De acordo com Nélio Morais, coordenador de Vigilância em Saúde (Covis) da SMS, a redução foi puxada por diversas ações implantadas pelo Comitê Municipal Intersetorial, criado em abril de 2017. A prioridade foi o eixo educação, cujos números se assemelham a um “exército”: são 500 equipamentos de ensino, 13 mil professores e 220 mil estudantes.

Segundo Nélio, mais de 100 escolas foram premiadas dentro do Selo Escola Amiga da Saúde. “Outra estratégia foi o Selo Detetive de Combate ao Aedes, em que os alunos receberam cartilhas e uma lupa para pesquisar as larvas em casa. Isso também incentivou os pais a eliminarem os focos”, explica.

No setor conservação, Nélio destaca o trabalho de limpeza nos bairros mais vulneráveis com a operação Quintal Limpo, que tirou toneladas de materiais inservíveis das residências. Além disso, a SMS realizou 52 mil ações de educação e mobilização em 2017, como  gincanas em escolas, blitze sanitárias e mutirões.

Brasil

A chinkungunya também registrou redução no Ceará em comparação com outros estados do Brasil, em 2018, conforme o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que contabiliza casos prováveis da doença até o dia 14 de abril. Se, em 2017, o Ceará liderava nacionalmente o período de janeiro a abril, com 37.962 notificações da doença, neste ano de 2018 fica em quinto, com 1.346 ocorrências - redução de 94%.

As notificações no Estado também o colocam no topo da região Nordeste. Depois dele, vêm Bahia, com 890 casos prováveis; Rio Grande do Norte, com 496; Pernambuco, com 368, e Paraíba, com 281. A lista se completa com Maranhão (276), Piauí (185), Alagoas (42) e Sergipe, com apenas nove notificações.

O Estado com mais ocorrências no Brasil é o Mato Grosso, com 10.467 registros, seguido por Rio de Janeiro (5.305), Minas Gerais (3.264) e Pará (2.009). Neste ano, a arbovirose matou quatro pessoas em todo o País, mas nenhuma no Ceará, embora haja seis óbitos em investigação no Estado. No mesmo período do ano passado, o Ceará registrava 45 mortes pela doença.

A dengue seguiu a mesma tendência de diminuição. De 1º de janeiro a 14 de abril do ano passado, o Ceará teve 21.187 casos prováveis da arbovirose; em igual período de 2018, foram 3.285, uma queda de 84,5% que coloca o Estado na oitava posição do Brasil. Goiás, no topo da lista, tem quase nove vezes mais notificações, com 28.480 casos.

Vigilância

Ainda segundo o boletim do Ministério, seis pessoas já morreram no Ceará por causa da dengue em 2018. É o maior número da região Nordeste, à frente de Piauí, Maranhão, Paraíba e Bahia, que registraram uma morte cada. No mesmo período do ano passado, foram oito óbitos no Ceará. Líder do País, Goiás tem 14 mortes, número menor que as 19 registradas nos quatro primeiros meses de 2017.

A Secretaria Estadual da Saúde do Ceará (Sesa) alerta os municípios para que “se mantenham sensíveis à ocorrência e notificação de todos os casos suspeitos de arboviroses e à necessidade de manutenção e intensificação das medidas de vigilância, prevenção e controle”. A Pasta também destaca o papel da população na prevenção das doenças transmitidas pelo mosquito.

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