Hospital César Cals

Bebês em acompanhamento hospitalar ganham primeiro registro fotográfico

O projeto contemplou 71 famílias e trouxe as crianças vestidas de super-heróis

Projeto surgiu quando foi percebida a carência das mães de registros fotográficos dos primeiros dias de seus bebês ( Saulo Roberto )
18:48 · 17.05.2018 / atualizado às 20:27
O registro fotográfico é também uma forma de lembrar dos primeiros momentos da história da mãe e do filho ( Saulo Roberto )

Quando a luta pela vida tem início mesmo antes do nascimento, cada dia superado é uma vitória inestimável para os pequenos heróis do Hospital Geral César Cals (HGCC), em Fortaleza. Para as mães que fazem parte da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais Canguru (UCINCa), os filhos são a própria inspiração.

Em comemoração ao Dia das Mães e em homenagem às crianças acompanhadas na unidade, o projeto Registrando Meu Pequeno Grande Herói proporcionou a 71 famílias a oportunidade de fazer o primeiro registro fotográfico das crianças, fortalecendo o vínculo e o emocional da família que vivencia a situação de internamento.

Famílias carentes, mas com brilho nos olhos

Segundo as idealizadoras do projeto, a psicóloga residente Jamille Barros e a fisioterapeuta residente Nayara Pereira, ambas em neonatologia, o projeto surgiu quando foi percebida a carência das mães de registros fotográficos dos primeiros dias de seus bebês.

A gente não esperava tanta aceitação, sabe? As mães nas unidades pedem muito uma foto do bebê, um registro, então juntando a questão da foto, da luta dos bebês e do Dia das Mães, a gente resolveu fazer esse projeto”, explica Nayara.

Jamille conta que o registro fotográfico é também uma forma de lembrar dos primeiros momentos da história da mãe e do filho. “Deu para ver mesmo o brilho nos olhos delas de poder pegar um papel com a foto estampada do filho delas e essa história poder ser recontada de outra forma que não apenas de uma internação, mas de uma luta que traz justamente a saga desse pequeno herói representado nessa criança”, ressalta.

Batalha desde cedo

A ideia de trazê-los como pequenos heróis veio do reconhecimento das batalhas que os bebês enfrentam já com poucos dias de nascidos: “A gente pensou em fazer essas capinhas para poder afirmar e reafirmar que eles estão ali todo dia batalhando a cada momento, que vão ter batalhas que vão ser ganhas e infelizmente a gente acompanha também muitas batalhas que não são ganhas, e muitas vezes não se tem o registro desse bebê que fez parte daquela família. É uma forma também de concretizara história e o vínculo familiar”, conta Jamille Barros.

A UCINCa conta hoje com 10 leitos para mães que precisem do método, informou a coordenadora da Referência Estadual em Método Canguru, Natércia Bruno.

Para a recém-mamãe Pricilla Rachel, ações como estas deixam a estadia no hospital bem mais leve. Ela mora em Pacatuba e, longe de casa e da família, o pequeno Samuel, de 18 dias, é sua inspiração.

”Eu amei as fotos, estava super ansiosa pra receber e ele ficou um príncipe, e de super-herói? Porque é um herói, lutando todo dia pela vida, e é ele que me dá força”, conta.

Segundo Pricilla, as mães “já estão vivendo um momento muto difícil, de incerteza, insegurança pelos nossos filhos, e esse projeto é muito importante porque fortalece o vínculo entre nós”. Os bebês prematuros passam pelas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais Convencionais (UCINCo) e depois vão para a unidade Canguru. Segundo a coordenadora dos residentes e da Estratégia QualiNEO do hospital, Lorenna Landim, o HGCC tem 10 leitos cadastrados em cada UTI Neonatal, com um total de 20, e 36 leitos na UCINCo.

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