"justiça restaurativa"

Arcebispo de Fortaleza diz que atual cenário político cria mais confusão do que soluções

Dom José Antonio ainda afirmou que é preciso respeito à dignidade humana durante a aplicação de medidas punitivas

10:40 · 10.04.2018 / atualizado às 11:46
Dom José Antonio Tosi
O Arcebispo Dom José Antonio afirmou que é preciso aplicar "uma justiça restaurativa e não uma justiça punitiva simplesmente" ( Foto: Reprodução )

A caminho para participar da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Arcebispo Metropolitano de Fortaleza Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques afirmou nesta terça-feira (10) que é preciso respeito à dignidade humana durante a aplicação de medidas punitivas. A declaração faz referência a atual conjuntura política brasileira, com destaque para prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida no último sábado (7).

De acordo com Dom José Antonio, o cenário é muito complexo e é preciso analisá-lo com cautela para que se possa realmente fazer justiça. Para ele, situações como a prisão do ex-presidente causam mais confusão do que soluções para o país. 

O Arcebispo ainda afirmou que é preciso aplicar "uma justiça restaurativa e não uma justiça punitiva simplesmente, mas restaurar a situação a partir do respeito da dignidade das pessoas, mesmo diante de erros que possam ter sido cometidos, mas sempre no respeito para com as pessoas e para com o bem do povo, do bem nacional, não usando disso como oportunidade simplesmente de jogo político, de dividendo político, é importante o bem comum da nação mais do que qualquer interesse particular".

Polêmica

Nesta semana, o ato religioso em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, realizado no sábado (7), antes da prisão do ex-presidente Lula, virou alvo de polêmica ao ser considerado pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer como uma forma de "instrumentalização política"

No ato religioso, celebrado por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, Lula fez seu último discurso antes da prisão. "Vocês, de agora em diante, não se chamam Chiquinha ou Pedrinho, vocês todos são Lula e vão andar pelo país fazendo o que precisa ser feito”, disse o ex-presidente na ocasião.

Com informações do jornalista José Maria Melo.

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