MUNIC 2017

176 municípios cearenses tiveram prejuízos com a seca entre 2013 e 2016, aponta IBGE

Os principais prejuízos ocorreram na produção agrícola, acometendo 172 municípios; perdas financeiras também afetaram a economia de 163 cidades.

10:01 · 05.07.2018 / atualizado às 10:08
Seca em Nova Russas
Nova Russas foi um dos municípios afetados pela seca. Lá, ocorreram perdas financeiras, agrícolas, ambientais e no rebanho de animais. ( (Foto: Kid Júnior) )
A seca castiga o Estado há, pelo menos, seis anos. Por conta disso, 176 dos 184 municípios cearenses (o equivalente a 95%) encararam algum tipo de perda ocasionada pela estiagem no quadriênio 2013-2016, segundo dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2017, produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quinta-feira (5). Apenas três cidades afirmaram que não passaram por seca e outras cinco não responderam. 
 
Os principais prejuízos ocorreram na produção agrícola, acometendo 172 municípios, ou 93,4% do total. A segunda maior perda das cidades cearenses foi financeira, afetando a economia de 163 municípios (88,6%). Em terceiro, vieram as perdas de animais, ocorrendo em 148 municípios (80%). 
 
As perdas ambientais vêm em seguida, acometendo 142 cidades; inclusive, 57 delas afirmaram que houve o surgimento ou o aumento da área de desertificação. Além disso, 58 disseram que a concentração de poluentes na água aumentou, exigindo a ampliação na captação e no tratamento do recurso.
 
Questionadas no ano passado pela equipe do IBGE, 180 gestões municipais confirmaram a seca em seus territórios. Apenas Fortaleza, Eusébio e Guaramiranga negaram a ocorrência dela. A cidade de Pacoti, na região de Baturité, informou não saber da ocorrência do fenômeno. 
 
Para a maioria dos 180 municípios que confirmaram, o pior ano do quadriênio foi 2016. Entretanto, apesar do problema histórico, apenas 41 cidades, ou 22% do total, afirmaram possuir Plano de Contingência e/ou Preservação para a seca.

Redução de danos

A Munic 2017 também indagou o que está sendo feito nos municípios para evitar ou minimizar os danos causados pela seca. Em 159, a construção de poços é uma medida. Em 133, havia também a construção de cisternas. Já os carros-pipa circulam em 162 cidades, em situações de emergência.
 
Além disso, 49 administrações disseram incentivar a agricultura adaptada ao clima e ao solo de suas regiões, com sistemas de irrigação. Em 27 municípios, houve ainda ações de revegetação. Cinquenta deles também afirmaram promover ações de uso sustentável dos recursos naturais, com fontes de energia eólica ou solar, planos de bacia e programas de conscientização e sensibilização.

Inundações

Na contramão da seca, o estudo também mostra que apenas 16 cidades cearenses registraram alagamentos, nos últimos quatro anos. Já inundações foram informadas em apenas oito: Coreaú, Crato, Fortaleza, Groaíras, Itaitinga, Juazeiro do Norte, Pacatuba e Pindoretama. Nove também notaram deslizamentos em seu território.
 
A Munic 2017 revela ainda que, embora 45 cidades tenham mapeamento das áreas de risco em casos de inundações, apenas 18 possuem Plano Municipal de Redução de Riscos. Além disso, 22 cidades não estabeleceram Coordenadorias Municipais de Defesa Civil (COMDECs).

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.