RECONHECIMENTO

Novos mestres da cultura são diplomados

Solenidade ocorreu no Theatro José de Alencar na tarde de ontem (25), contemplando 16 novos nomes da arte local

01:00 · 26.06.2018 por Diego Barbosa- Repórter
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Mestre Almeida recebe o título de mestre da Cultura da vice-governadora Izolda Cela e do secretário da Cultura Fabiano Piúba ( FOTO: HELENE SANTOS )

Moldado durante anos de aprendizados e experiências, o saber intuitivo que compõe a tradicional cultura cearense foi o grande homenageado na tarde de ontem (25), no Theatro José de Alencar, durante a solenidade de diplomação de 16 novos mestres e mestras da cultura do Estado. Com eles, também foram contemplados dois Grupos de Tradição e uma Coletividade.

A iniciativa é uma ação conjunta da Secretaria de Cultura (Secult) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e contempla a meta estabelecida pelo Plano Estadual de Cultura, visando aumentar de 60 para 80 o número de nomes reconhecidos.

Na ocasião, os selecionados através do Edital Tesouros Vivos receberam o Título de Notório Saber em Cultura Popular pela Uece e realizaram uma roda de conversa no jardim do Theatro José de Alencar, tratando de aspectos diretamente relacionados ao seu fazer artístico.

Renovação

O clima de celebração ainda promoveu o lançamento de um novo edital de seleção visando contemplar mais Tesouros Vivos da Cultura, ampliando a representatividade dos guardiões da memória popular.

Cada um dos feitos foi comemorado por Fabiano Piúba, secretário da Cultura do Estado. Segundo ele, a titulação deve mudar a forma como as artes realizadas pelos mestres se projetarão na sociedade.

"Com o título, os mestres e mestras também podem lecionar nos Ensinos Fundamental e Médio e nas universidades. A certificação dá, assim, uma garantia formal para que eles e elas possam estar realizando diversas atividades formativas, fazendo, inclusive, com que os estudantes visitem os próprios ambientes de trabalho onde eles realizam suas ações", esclarece.

Por sua vez, a vice-governadora do Estado, Izolda Cela, enfatiza a relevância do encontro entre a cultura acadêmica e a cultura popular promovido pelo projeto. "Estamos dando seguimento e expansão a um programa muito importante que está relacionado com a identificação e reconhecimento dos mestres da cultura para colocá-los em diversas frentes de atuação", explica.

E completa: "Esses saberes tão importantes que eles carregam precisam ser preservados e cultivados na nossa sociedade. É memória, é história, são valores e tradições que enraízam um povo e faz com que a gente não perca aquilo de mais original que nós temos".

Preservação

Representante do Maracatu Az de Ouro - um dos grupos selecionados para receber o diploma -, Marcos Gomes ressaltou, em seu discurso, o legado que o ato está construindo. "Quero que todos aqui presentes, tanto os que já foram quanto os que vão ser diplomados, valorizem essa conquista porque isso é também construção do futuro cultural de nosso Estado".

Entenda o que significa a conquista do título

Selecionados através do Edital Tesouros Vivos da Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, e pela Coordenadoria de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult, os mestres e mestras da cultura, a partir do momento que têm seus saberes reconhecidos, passam a ser convidados por universidades e outras instituições de ensino para palestras e outras atividades, sendo remunerados da mesma forma que professores que contam com essa distinção.

De igual maneira, recebem um subsídio no valor de um salário mínimo mensal como apoio à manutenção de suas atividades e transmissão de seus saberes e fazeres. Pioneiro em território nacional, o programa Mestres da Cultura, que engloba essas ações, tornou-se referência para o Brasil, recebendo o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade pela qualidade e ressonâncias da iniciativa.

Os mestres e mestras são considerados difusores de histórias, identidades e tradições, ecoando saberes e experiências às novas gerações. Adentrando o ambiente acadêmico, eles incorporam àquele universo a diversidade cultural tão fortemente presente no Estado, desenvolvendo uma política de preservação da tradição popular.

A mais recente titulação contemplou os seguintes nomes: Geraldo Amâncio, Hugo Pereira, Jaime Arnaldo Rodrigues, João Paulo Vieira, Zé Carneiro, Macaúba, Mestre Almeida, Mestre Zé Renato, Geraldo Gonçalves (in memoriam), Pedro Bandeira, Rita de Cássia da Cunha, Mãe Zimá, Antônio Rafael Sobrinho, Francisca Zenilda Soares e Mestre Chico Bento Calungueiro, além dos grupos Maracatu Az de Ouro e Reisado da Família Ramos e da coletividade Associação da Mãe das Dores e do Padre Cícero.

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