obra atrasada

Nova Avenida Aguanambi só deve ser concluída em julho

Previsto para janeiro e depois adiado para abril, o prazo de conclusão da obra, agora, é o dia 31 de julho

80% da obra estão completos e, até o fim de abril, toda a parte viária deve ser liberada ( Foto: Kid Júnior )
01:00 · 10.04.2018 por Nícolas Paulino - Repórter

Vergalhões de ferro que despontam do concreto, cerâmicas e calçamentos amontoadas em calçadas e malhas laranjas de isolamento às margens da via: a Avenida Aguanambi é um canteiro de obras há dois anos e dois meses, quando foi dada a ordem de serviço para intervenções que a farão parte do corredor expresso que ligará o bairro Messejana ao Centro. Previsto para janeiro e depois adiado para abril, o prazo de conclusão da obra, agora, é o dia 31 de julho, conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf). Na manhã de ontem, segundo o coordenador de fiscalização do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em geral do Ceará (Sintepav-CE), Arquimedes Fortes, as obras foram paralisadas.

A interrupção ocorreu, de acordo com Fortes, porque a construtora paulista Ferreira Guedes suspendeu o pagamento das empresas DM Engenharia, Diarte Construções e NR Construções. "Foi feita uma assembleia (nesta segunda) e os trabalhadores optaram em ir pra casa até sair o pagamento. Se sair hoje, eles voltam. E isso afeta não só a obra da Aguanambi, mas também a da Via Expressa", informou Fortes.

Valores pagos

Segundo o coordenador de obras da Seinf, Guilherme Gouveia, a Prefeitura não tem conhecimento do caso. "A Prefeitura não tem nenhum débito. Todos os valores atestados pela fiscalização estão pagos", completa.

A reportagem confirmou no Portal da Transparência que o Município realizou o repasse de mais de R$ 6 milhões para a Construtora Ferreira Guedes. A Construtora Ferreira Guedes S/A foi procurada pela reportagem e disse que encontraria em contato no período da tarde. No entanto, até o fechamento desta matéria a empresa não havia se pronunciado.

Enquanto o imbróglio envolvendo as construtoras não é resolvido, um novo cronograma foi estabelecido no último aditivo do contrato das obras, como explica o coordenador da Seinf, Guilherme Gouveia. "A gente tem assumido o compromisso com a empresa, mas essa é uma obra dinâmica, com várias dificuldades, como a questão da acessibilidade", diz. Segundo o coordenador, cerca de 80% da obra está completa e, até o final de abril, toda a parte viária deve ser liberada. Hoje, ainda há bloqueio de trânsito na Rua Coronel Solon.

O viaduto que conecta a Aguanambi à BR-116 está em fase final de conclusão. Além disso, seguem obras de adaptação de calçadas, a internalização da rede elétrica, a fixação de eletrodutos, a implantação de piso tátil e ações de paisagismo. "Essa parte final é o que realmente vai caracterizar a Aguanambi, e é aquela velha história do acabamento. Quando chega nessa fase, temos dificuldades extras", explica Gouveia.

Um dos aspectos negativos seriam as chuvas que têm ocorrido desde o início do ano, em Fortaleza. Ontem, trabalhadores da obra revestiam o concreto do canteiro central com material impermeável, a fim de evitar infiltrações. Segundo o coordenador de obras, as obras podem ser afetadas por até dois dias por conta de precipitações. "Mas nós tivemos um ganho de drenagem porque, nesse ano, já teve chuva de 115 mm e não tivemos problemas com alagamento", afirma.

Demora

Por outro lado, quem utiliza serviços nas proximidades da Aguanambi, a realidade visível da obra incomoda pelo estiramento, cada vez maior, do tempo de entrega. "Isso dificulta que a gente chegue ao destino a tempo, por causa da demora dos ônibus", conta o atendente de telemarketing Mário Douglas, 18. "Está atrasada demais. Ninguém aguenta mais esperar tanto tempo por essa obra abandonada", relata o motorista João Batista, 43. Na manhã de ontem, antes da assembleia que decidiu pela paralisação, cerca de 30 operários trabalhavam nos quase 2 km de obras.

O trecho longo seria o motivo de um aparente "esvaziamento" dos canteiros, justifica o coordenador de obras da Seinf. "Tem uma frente na pavimentação na Pergentino Ferreira, outra trabalhando na rotatória. Tem obra no setor 7, da Coronel Solon até a Domingos Olímpio. Estamos fazendo calçadas próximo à Delegacia de Homicídios. A gente tem cobrado sistematicamente para que a empresa cumpra o prazo", enumera Guilherme Gouveia. (Colaborou Suelen Crisóstomo)

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