Em Fortaleza

Não há estudos sobre a área verde

01:25 · 04.06.2012
É celebrado, amanhã, o Dia Mundial do Meio Ambiente. No entanto, na Capital, pouco se tem para comemorar

Com a proximidade do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado amanhã, a pergunta que muitos se fazem é se Fortaleza tem o que comemorar. Nos últimos anos, a cidade cresceu desordenadamente, enquanto as áreas verdes só desapareceram. Nem a própria Secretaria do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam) possui estudos que indiquem quanto a Capital tem de área verde. Além de dificultar o direcionamento de políticas públicas, o fato deixa claro que o assunto não é tratado como prioridade pelo poder público.

De acordo com a assessoria de comunicação da Semam, o que está sendo feito pelo órgão é um novo Inventário Arbóreo de Fortaleza, um outro já havia sido feito em 2003. O mapeamento começou em janeiro e visa fazer uma avaliação qualitativa das árvores, identificando suas especificidades para, a partir daí, elaborar um Plano Municipal de Arborização, previsto no Plano Diretor de Fortaleza. O documento deve ser feito em agosto, com participação popular.

Degradação

Antonio Sérgio Farias Castro, agrônomo e um dos fundadores do movimento Pró-Árvore, denuncia que Fortaleza é uma das cidades com pior índice de arborização do País e, historicamente, a cidade sempre destratou as suas áreas verdes. "Uma praça gera convívio, interações entre as pessoas, o que é fundamental para o desenvolvimento de qualquer cidadão", frisa.

O especialista chama atenção para o fato de que são cortadas pela Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb) cerca de 300 árvores por mês. Grande parte a pedido da própria população, prova de que não existe uma educação ambiental consolidada na cidade. Para cada árvore cortada, a legislação municipal diz que outras duas devem ser plantadas ou doadas ao Horto Municipal.

Entretanto, Castro alerta que não existe nenhuma garantia de que, daqui há 20 anos, essas mudas irão proporcionar o benefício daquela árvore derrubada, muito menos se ela ainda estará viva. "Não existe uma verdadeira compensação ambiental. Se você corta uma árvore, o prejuízo será irreparável", assegura.

Além de proporcionar sensação de bem estar, as árvores contribuem para melhorar a umidade do ar, uma vez que funcionam como bomba d´água, retirando água da terra e bombeando para o ar. Aumentando a umidade, acrescenta o especialista, teremos a sensação de frescor.

Parques depredados por falta de manutenção

Quando o assunto são os parques da cidade, automaticamente vem à mente o Parque do Cocó. Apesar disso, existem, ao todo, em Fortaleza 13 parques urbanos. Mas, em grande parte deles, o que se vê são espaços depredados e sem manutenção.

É o caso do Parque Parreão I, no bairro de Fátima. Bancos quebrados, lixo espalhado e falta de iluminação são problemas apontados pelos frequentadores, que se queixam dos assaltos. "A gente quer passar de bicicleta e não pode", reclama o autônomo Geraldo Gomes, 53.

A Secretaria Executiva Regional (SER) IV, responsável pelo local, informou que a licitação de reforma terminou, e as obras começam no próximo semestre.

LUANA LIMA
REPÓRTER

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.