Chikunguya

Mutirão da saúde visa eliminar mosquito em 30 áreas da Capital

Ação faz parte do Plano de Sustentabilidade contra o Aedes aegypti, transmissor da doença, a ser executado de setembro a dezembro e terá mais de mil pessoas envolvidas nas operações

01:00 · 11.09.2017 por Lêda Gonçalves - Repórter
A iniciativa contará com 1.7 mil agentes de endemias que irão percorrer todos os imóveis do bairro, com apoio da parte técnica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A ideia é também fazer palestras nas escolas ( Foto: José Leomar )

Fortaleza registra 49,5 mil casos confirmados da chikungunya, com 71 óbitos confirmados até o dia 31 de agosto desse ano. Isso representa um aumento de 213,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a cidade contabilizou 17,5 mil ocorrências positivas. Os dados são do boletim epidemiológico mais recente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Para enfrentamento desse cenário, ainda epidêmico, a Capital irá colocar em prática, entre setembro e dezembro, um Plano de Sustentabilidade contra o Aedes aegypti. A estratégia, verdadeira ação de guerra, prevê reduzir a força do mosquito, transmissor da doença, acabando com os focos, além de preparar o terreno para que seu controle em 2018.

O mutirão deve contar com 1.177 pessoas, sendo 563 agentes de endemias. O assessor técnico da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da SMS, Nélio Morais, adianta que a ação ocorrerá em 30 áreas mais afetadas da cidade, com maior número de casos e vulnerabilidade social. O plano vai começar pelos bairros da Regional V, com 12,3 mil ocorrências positivas da doença. O Bom Jardim, com 2,9 mil registros, deve ser o primeiro da lista. "A ideia é, em até três dias, a gente visitar todos os imóveis do local, fazer palestras nas escolas, mobilizar toda a comunidade, em paralelo à limpeza urbana, entre outras coisas. A meta é eliminar os criadouros e focos e conscientizar a todos para a importância da manutenção do combate ao mosquito", explica.

Região

Na relação das 30 áreas, 11 são da Regional V. Além do Bom Jardim, Mondubim; Granja Portugal, Conjunto Ceará I; Granja Lisboa; Siqueira; Vila Manoel Sátiro; José Walter; Maraponga; Parque Genibaú e Planalto Ayrton Senna serão visitados.

Na Regional I, estão listados Vila Velha; Barra do Ceará e Jardim Guanabara. Na Regional II o São João do Tauape; Vicente Pinzón e Joaquim Távora. Na III, Bom Sucesso; Rodolfo Teófilo; Antônio Bezerra e Quintino Cunha. Na Regional IV, Montese; Serrinha; Itaperi e Parangaba. Na VI, Edson Queiroz, Jardim das Oliveiras, Passaré e Parque Dois Irmãos. Além desses, o Centro também será beneficiado pela iniciativa.

Todo o território de Fortaleza está afetado pela Chikungunya. "Mesmo assim, começamos a observar já a partir de fim de julho e agosto, uma redução no número drástica de casos. O pico foi em abril e maio", diz, acrescentando que o cenário é preocupante. "Até porque, teve famílias que 100% de seus membros tiveram a doença. Isso nunca foi visto com a dengue, por exemplo. Não podemos baixar a guarda e, por isso, o trabalho visando a quadra chuvosa de 2018 começa agora", salienta.

as

Conforme o boletim da SMS, 67,7% dos casos são registrados na faixa etária entre 20 e 59 anos, sendo 18,4 mil entre 20 e 39 anos ou 37,7%, a faixa mais afetada da população; e 14,8 mil entre os que têm de 40 a 59 anos (30%). Considerando as Regionais, a V e VI contabilizam maior número de pessoas. A SER V é a campeã, com 3.6 mil ocorrências ou 29,3% do total.

Além do Plano de Sustentabilidade, Nélio informa que, em outubro próximo, o Ministério da Saúde deverá lançar a Semana Nacional de Mobilização. "Isso ocorrerá entre 23 e 27 de outubro, quando serão divulgados os dados do último Levantamento Rápido do Índice de Infestação (Lira) do ano.

Na avaliação de médicos e pesquisadores, como Rivaldo Venâncio, da Fiocruz, "não tem milagre". Para eles, nada terá efeito se a população não se mobilizar e combater o mosquito dentro de casa. "Não só a chikungunya, como a dengue e zika só existem porque existe o Aedes aegypti. E este só se fortalece porque o País possui uma grande receptividade para a sua proliferação do ponto climático, principalmente nos períodos chuvosos, além disso, a passividade da comunidade que tudo deixa para o governo", aponta.

O infectologista Anastácio Queiroz explica que a doença não é transmitida de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito e, por isso, avalia, sem acabar com os focos, fica quase impossível combater a sua proliferação. "O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento. Por ser um mosquito que voa baixo - até dois metros - é comum ele picar nos joelhos, panturrilhas e pés, mas pode pegar os braços também e, depois de infectado, a doença pode deixar sequelas para a vida toda", alerta.

Fique por dentro

Vírus Chikv tem origem afro-asiática

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, doença causa dores, fraqueza e pode deixar sequelas nas articulações e muita gente precisa fazer fisioterapia por meses.

Identificado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia, o vírus chegou em 2013 ao Caribe. Desde então, passou a ganhar espaço no resto das Américas, inclusive no Brasil, a partir de 2014.

Alguns dos sintomas são semelhantes aos da dengue: febre, mal-estar, dor de cabeça, manchas vermelhas na pele e fraqueza.

A maior diferença está nas dores das articulações, que na Chikungunya são muito intensas. O nome da doença vem do idioma maconde, da Tanzânia e significa "aqueles que se dobram", descrevendo a aparência encurvada dos pacientes.

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