ALERTA

Música alta pode prejudicar a audição

02:52 · 11.11.2008
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No Dia da Audição, especialista explica que a intensidade de som não prejudicial ao ouvido é de 60 decibéis

Nos ônibus, na fila do banco, na rua e nos ambientes de trabalho. A febre dos MP3, MP4, Ipods e celulares que tocam música está em todos os lugares. Porém, o som que diverte, faz passar o tempo e ajuda na concentração também pode trazer malefícios. No Dia da Audição, celebrado ontem, otorrinos e fonoaudiólogos alertaram sobre os danos que o uso de MP3 players em volume alto, em um período equivalente a cinco horas por semana, pode trazer para a saúde auditiva.

Não importa o tipo de música, seja rock, música clássica ou MPB, em alto volume, elas podem virar ruídos que prejudicam o sistema auditivo. A fonoaudióloga Laura Rocha explica que autores da área definem o ruído como um tipo de som que provoca efeitos nocivos ao ser humano. A música, apesar de ser um som harmônico e agradável - a depender do estilo musical de cada um -, quando tocada suficientemente alta, pode acabar sendo uma ameaça para o ouvido.

Os aparelhos portáteis que reproduzem músicas têm grandes potência sonora, o que faz deles os vilões da saúde auditiva. De acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), de 30 a 35% das perdas auditivas dos brasileiros são creditadas à exposição a sons intensos, seja em ambiente de trabalho ou de lazer. “O uso contínuo de MP3 players, por exemplo, em alta intensidade pode acabar causando lesões irreversíveis das células auditivas”, frisou Laura Rocha.

A fonoaudióloga ressalta, porém, que a perda auditiva provocada pelo fato de ouvir música alta está associada à freqüência, quer dizer, ao tempo prolongado de exposição a sons em alta intensidade e também a uma pré-disposição genética que algumas pessoas apresentam. “Os idosos, por exemplo, já têm tendência a ter uma perda auditiva por conta da velhice, portanto, o uso do MP3 em alto volume pode acelerar esse processo”, pontua.

Uma pesquisa realizada pelo Comitê Científico Europeu de Riscos à Saúde concluiu que adolescentes e jovens só deverão sentir os efeitos do mau uso dos aparelhos de MP3 daqui a uma década ou então quando completarem 30 anos de idade, momento em que a acuidade sonora deles poderá diminuir. O primeiro indício de problema auditivo são os zumbidos no ouvido. Cerca de 15 a 20% da população brasileira, em torno de 30 milhões de pessoas, apresenta esse sintoma. Mas só 15% deles se sentem incomodados e procuram ajuda médica.

A intensidade de som recomendada para que o ouvido humano não sofra uma lesão é de 60 decibéis. A fonoaudióloga Laura Rocha orienta que o volume ideal para curtir as músicas é aquele em que a pessoa que está ao lado não consegue ouvir. Já a SBO recomenda que se escute música no volume médio.

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