2ª Etapa da urbanização

Morro Santa Terezinha vai ganhar elevador

Em maio passado, a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado entregaram a primeira parte do projeto

A segunda fase das intervenções urbanísticas deve começar em outubro. Além de conter a encosta e oferecer espaço de lazer e interação, um elevador de plano inclinado deve ser implantado ao lado da escadaria principal ( Foto: Fabiane de Paula )
01:00 · 06.08.2018 por João Lima Neto - Repórter
O Morro Santa Terezinha deve receber, em outubro, a segunda fase das intervenções urbanísticas da região. Conforme a Prefeitura de Fortaleza, em licitação publicada no Portal de Compras do Município, as obras devem conter a encosta para evitar deslizamentos e oferecer à população espaço de lazer e interação. O investimento é de R$ 2,9 milhões. Como justificativa para as ações, o Município pontua o impacto das últimas chuvas. A novidade é que o projeto inclui a construção de um elevador de plano inclinado para facilitar a acessibilidade ao espaço.

Em 2015, após chuvas intensas, parte do Morro Santa Terezinha sofreu com deslizamentos das encostas. Como solução, a Prefeitura, com o Programa de Drenagem Urbana (Drenurb), realizou ação emergencial de contenção das encostas, com melhorias no sistema de drenagem de águas pluviais, rede de esgoto e reforço de estacas e fundações do muro de contenção. 

Obras

“Essa etapa tem como foco trazer infraestrutura de turismo e lazer para a já requalificada região, com a implantação de quiosques e mobiliário urbano. Conta também com um equipamento para acessibilidade, a ser instalado ao lado da escadaria principal, uma cabine que corre no trilho para levar as pessoas do nível inferior do morro à praça na parte superior”, explica a titular da Pasta de Infraestrutura do Município, Manuela Nogueira. 

A obra divide-se em execução do complemento dos Projetos de Paisagismo e Urbanismo, abrangendo o plantio de espécies, execução do campo de futebol, de passeios em piso intertravado e seu respectivo meio-fio no entorno, restauração do anfiteatro, implantação de equipamentos de ginástica e brinquedos infantis, bancos, lixeiras, um deck de madeira e um sistema funicular para garantir a acessibilidade, principalmente de usuários com necessidades especiais à parte elevada.

Problemas

A região sofre com ocupação urbana antiga e bastante populosa, sendo realizada de forma desordenada e rápida, tornando-a uma área de risco, por apresentar moradias mais simples e sem infraestrutura adequada de saneamento básico e água tratada. 

Na avaliação do professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jeovah Meireles, as intervenções são positivas, desde que realmente haja utilização adequada do espaço. “Tudo era um grande campo de dunas. Ali caíam verdadeiras cascatas de areia. Havia uma engorda da praia de forma natural. Com o início da construção do Porto do Mucuripe, o morro começou a ser fixado. Aquela faixa de areia que tinha se transformou em zona de risco. Com o tempo, o Morro foi transformado em uma elevação de muitos sedimentos arenosos. Esse serviço ambiental deixou de existir”, informa.

O professor explica ainda que o turismo pode ofertar um novo poder econômico aos moradores. “Abre a possibilidade de uma inserção econômica e acessibilidade para a população. Entretanto, todas essas relações precisam ser, de fato, fundamentadas para uma nova cultura de lazer, educação e inserção econômica daquela população sem concentração de renda. Existiam vários restaurantes que só pessoas de maior poder econômico tinham acesso. O turismo se apropria desses espaços em nível extremamente elevado, causado pela mercantilização, o que afasta diversos grupos sociais”. 

Requalificação

Em maio, foi entregue a primeira parte do projeto. Foram construídos dois muros de contenção, sistema de drenagem, com orçamento de R$ 12,6 milhões para a primeira parte da obra.

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