caucaia

Moradores reclamam da demora na coleta de lixo

Nos bairros Parque Leblon e Iparana, os resíduos tomam conta das vias que ligam Caucaia a Fortaleza

Caixas de papelão, sacos plásticos, entulho e restos de alimentos se aglomeram na beirada dos postes de iluminação pública ( Fotos: FABIANE DE PAULA )
01:00 · 26.04.2018 por Nícolas Paulino - Repórter
Um caminhão e um trator da Secretaria Municipal de Patrimônio, Serviços Públicos e Transportes de Caucaia passaram, ontem, recolhendo os resíduos

O caminho das praias é rota tanto para nativos quanto turistas. Se o trajeto deveria ser convidativo, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, por outro lado, causa apreensão: diversos focos de lixo se acumulam às margens e nos canteiros centrais das rodovias que levam ao mar. Apesar do trabalho de coleta da Prefeitura Municipal, que assumiu o serviço em janeiro deste ano, após imbróglio contratual com a empresa que o realizava, moradores reclamam da demora na efetivação da limpeza e até mesmo de danos estruturais às ruas dos bairros, causados pelo maquinário pesado.

Nos bairros Parque Leblon e Iparana, os resíduos tomam conta do centro da Avenida Ulisses Guimarães, uma das vias que ligam Caucaia a Fortaleza. Caixas de papelão, sacos plásticos, entulho e restos de alimentos se aglomeram na beirada dos postes de iluminação pública. Se, para alguns, o acúmulo de resíduos gera apreensão ou asco, para outros é meio de sustento, como do catador Jânio Sousa.

Na manhã de ontem, ele vasculhava um pequeno lixão a céu aberto à procura de garrafas pet e papelão, que já enchiam quase metade de seu carrinho. "Quase todo dia isso aqui fica cheio", afirma o catador, que, de quilo em quilo de resíduos, chega a apurar R$700 mensais. Já o borracheiro Francisco Flávio, morador da região, queixa-se de que o caminhão da coleta demora até cinco dias para passar.

"Aqui não tem uma placa proibindo o despejo nem tem contêiner paro o povo jogar o lixo. Sem falar que os carros não entram nas ruas menores, só rodam aqui na principal. Então, o povo vem todo jogar aqui", descreve. Enquanto ele conversava com a reportagem, um caminhão e um trator da Secretaria Municipal de Patrimônio, Serviços Públicos e Transportes de Caucaia (SPSPTrans) passaram na via recolhendo os resíduos.

Segundo um dos garis, que não quis se identificar, os dias certos para a coleta na região são terça e quarta, quando um ou dois tratores percorrem os bairros. Porém, ele reclama da falta de apoio da própria população. "Nos lugares em que a gente passou agora há pouco, pode ir lá: já devem ter jogado lixo de novo". Ele também diz que o ideal seria o acondicionamento dos materiais em sacos fechados.

No bairro litorâneo da Tabuba, caminho entre o Icaraí e o Cumbuco - duas das principais praias da cidade, ambas limpas ontem - algumas esquinas também se tornaram depósitos de lixo da população. Márcio Holanda, dono de um estabelecimento de mecânica, diz que uma vez por semana vê a limpeza passar perto de seu local de trabalho. Além disso, nota, os insetos estão aparecendo aos montes, principalmente baratas.

O problema é tão grande, diz ele, que o lixo, muitas vezes, vai parar no asfalto, dificultando o tráfego dos carros. Ontem, dois caminhões e um trator mitigavam os focos do bairro. Contudo, segundo outro morador, que optou por não se identificar, o serviço tem deixado diversas ruas esburacadas, referindo-se aos sulcos deixados pelos dentes das escavadeiras.

Em nota, a Prefeitura de Caucaia informou que, ao assumir a coleta de lixo e a limpeza urbana, formulou estratégias em diversas frentes. "Além de montar uma logística própria para recolher os resíduos, a gestão trabalha a conscientização dos grandes geradores, promove ações de educação ambiental nas escolas e aperfeiçoa diariamente o esquema de coleta para o serviço ser a cada dia mais regularizado", dentre outras ações.

Setores

Hoje, Caucaia conta com 32 caçambas de 12 m³, dez de 6 m³, seis retroescavadeiras, oito pás mecânicas, duas bobcats, duas varredeiras mecanizadas, dois tratores de pneus, cinco caminhões de carroceria de madeira para poda e dez compactadores. A coleta é feita por setores. "Às segundas, quartas e sextas, um setor da cidade é beneficiado. Às terças, quintas e sábados, outro. O serviço não é afetado por feriados", afirma a gestão.

Além disso, a Prefeitura inaugurou um Posto de Entrega Voluntário (PEV) na Praça Coronel Fausto Sales, no Centro, que será itinerante e funcionará em dez pontos de Caucaia, incluindo oito escolas municipais. Os equipamentos receberão papel, plástico, metal e vidro. Os interessados levarão o material em troca de mudas de plantas. Tudo o que for arrecadado será destinado a centros de triagem parceiros da Prefeitura. (Colaborou Suelen Crisóstomo)

Fique por dentro

Impasse entre Prefeitura e empresa

No dia 29 de dezembro de 2017, a coleta de lixo em Caucaia foi suspensa devido a impasses contratuais entre a Prefeitura de Caucaia e a empresa EcoCaucaia Ambiental, do Grupo Marquise. Segundo a Marquise, o contrato foi quebrado "unilateralmente" sem o pagamento dos serviços prestados; para a Prefeitura de Caucaia, há dúvidas sobre a validade desse acordo, firmado na gestão anterior.

Desde dezembro de 2016, corre Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Caucaia, para a anulação da Parceria Público-Privada, que teria validade de 30 anos, celebrada entre o Grupo Marquise e a gestão anterior. Apesar do pedido de anulação, a Marquise entrou com recurso e conseguiu manter o contrato em 2017.

No dia 3 de fevereiro, a SPSPTrans assumiu o serviço de coleta domiciliar após o Município cancelar a licitação para terceirização da coleta em 2018 e decretar Estado de Emergência. A Prefeitura de Caucaia afirmou que auditorias internas, finalizadas em 15 de abril, geraram dois processos referentes à Marquise, um referente à empresa EcoCaucaia e um sobre o Aterro Sanitário (Asmoc).

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