Moradores de rua têm dia de cidadania - Cidade - Diário do Nordeste

NO CENTRO

Moradores de rua têm dia de cidadania

29.05.2010

Foram oferecidos, entre outros, serviços de corte de cabelo na Praça Clóvis Beviláqua gratuitamente

Um torneio de futebol e serviços de vacinação e corte de cabelo movimentaram a Praça Clóvis Beviláqua, no Centro, ontem. Não foi apenas uma "pelada" de rua, como costuma acontecer em diferentes bairros da Cidade. O jogo teve conotação especial: era o I Torneiro de Futebol da População de Rua.

Organizado pelo Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) Seção Fortaleza e pela Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor), a competição reuniu oito times, compostos, cada um, por dez jogadores.

Do torneio, com direito a troféus para os primeiros colocados, participaram moradores de rua de diversos locais, que servem de moradia, ou de entidades de apoio, como a Praça Clóvis Beviláqua, Casa Verde, Irmã Inês, Casa da Sopa, entre outras. Para David Wallace Araújo, integrante do MNPR, o evento "é um meio de resgatar a cidadania por meio do esporte, proporcionando a integração das pessoas deste segmento tão desfavorecido de tudo".

Pedro Henrique Teixeira, 20 anos, que mora na rua há três meses, era um dos jogadores do time da Praça da Bandeira. Está nessa situação depois que rompeu com os pais, que residem em Messejana. Desempregado e sem perspectiva, conta com a ajuda do Espaço de Acolhimento da Avenida da Universidade, no Centro. Sobre o torneio, disse que "é muito bom para que a gente se ocupar com uma atividade saudável".

Políticas

Excluídos das políticas públicas e discriminados pela sociedade, os moradores de rua, em Fortaleza, chegam a cerca de 4 mil pessoas, segundo estimativas do MNPR. No Brasil, esse segmento atinge uma média de 35 a 40 mil pessoas.

Esse contingente populacional é composto, na sua maioria, por mendigos, viciados (em drogas e bebidas alcoólicas), sem-teto e desempregados.

Luiza Perdigão, titular da Secretaria Executiva Regional do Centro, reconhece que o morador de rua é uma grave questão social. Uma das medidas para amenizar esse problema será contemplá-los com o Programa Saúde da Família (PSF).

MARCOS SAUDADE
REPÓRTER

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