diz antropólogo

'Modelo de Segurança Pública alimenta facções'

Ex-secretário nacional da área veio à Capital para lançar o livro 'Ensaios de Emergência', de iniciativa coletiva

01:00 · 13.09.2018 por Cadu Freitas - Repórter
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O antropólogo Luiz Eduardo Soares já atuou no Estado do Rio de Janeiro e no Município de Porto Alegre (RS); ele é um dos autores do livro "Elite da Tropa", que foi adaptado ao cinema pelo cineasta José Padilha ( FOTO: KID JÚNIOR )

Ainda que as soluções para sanar os problemas de violência pública sejam, para parte da sociedade, resolvidos de forma prática e rápida, a afirmativa não encontra espaço nas discussões elaboradas pelo antropólogo e professor Luiz Eduardo Soares na noite de ontem (12).

O ex-secretário Nacional de Segurança Pública veio à Fortaleza para participar do lançamento da primeira edição do livreto "Ensaios de Emergência", cuja concepção e coordenação editorial foi pensada pelos juízes Luciana Souza e Cezar Belmino e pela promotora de Justiça Joseana França. A série contará com outras três edições a serem lançadas pelo trio.

No capítulo escrito pelo convidado da noite, o antropólogo Luiz Eduardo Soares - que encheu o Teatro Nadir Papi Saboya, no bairro Varjota -, a discussão foi norteada tendo como base as questões vinculadas à legalização de psicoativos, bem como as consequências do que é cunhado atualmente com o termo "Guerra às Drogas".

De acordo com o antropólogo, há problemas estruturais na Segurança Pública brasileira que vão desde fundamentações contidas na Constituição e na Lei das Drogas (nº 11.343/2006) até o padrão policial ostensivo exercido no País. "Com esse modelo estabelecido no Artigo 144 e com essa arquitetura institucional, nós vamos continuar produzindo esses resultados e alimentando facções que se tornam crescentemente poderosas", avaliou o especialista ao pontuar que o resultado é o combate nas ruas e o homicídio de policiais.

Por isso, Luiz Eduardo Soares ressaltou que o sistema de Segurança Pública brasileiro vive um paradoxo: ao passo que tem a terceira maior população carcerária do mundo, apenas cerca de 8% dos crimes violentos letais intencionais são investigados formalmente por autoridades.

De acordo com o antropólogo, a criminalização do tráfico de drogas, que atinge, em especial, jovens negros e pobres, os recruta para os grupos faccionados uma vez que os conferem a um Sistema Penitenciário capaz de formá-los no mundo das organizações criminosas. "Verificamos que o subgrupo que mais cresce dentro desse universo da população carcerária é formado por aqueles que cumprem pena por tráfico de drogas, que já chega a 28% e é o que cresce mais velozmente", afirmou o especialista, destacando que uma reforma na Segurança Pública precisa ser encarada de fato.

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