tempo de conversão

Missa das Cinzas na Catedral abre tempo da Quaresma

Na celebração, o arcebispo de Fortaleza falou sobre violência, tema da Campanha da Fraternidade deste ano

As cinzas que carimbam as testas dos fiéis como símbolo de purificação e renovação são produzidas a partir das plantas que sobram no Domingo de Ramos do ano anterior, quando a Quaresma passada se encerra ( FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES )
01:00 · 15.02.2018

"Convertei-vos e crede no Evangelho". A ordem, seguida pela singela cruz de cinzas desenhada sobre a testa, simboliza um tempo que, para os fiéis católicos, é de conversão: de purificação para a chegada da Páscoa. O rito é tradicional nas paróquias de Fortaleza, durante a Quarta-feira de Cinzas, dia que pontua a abertura do tempo da Quaresma. Na capital cearense, a missa-marco dos 40 dias que precedem a ressurreição de Jesus Cristo foi celebrada ontem, na Catedral Metropolitana, pelo arcebispo da Arquidiocese de Fortaleza, Dom José Antônio Tosi, que falou ainda sobre o tema da Campanha da Fraternidade de 2018 - a superação da violência.

Para as centenas de cristãos que, mesmo sob forte chuva no Centro da cidade, compareceram à celebração, a Quaresma é, além de preparação para o advento da Páscoa, uma oportunidade de recomeço.

Renovação

"As cinzas, para mim, marcam realmente o início do meu novo ano. Porque a Quaresma é um tempo de pensar no que já fiz, sim, mas principalmente de projetar o que vem. Nesse período, eu foco muito no espiritual, elevo meu coração a Deus e relaxo minhas tensões para iniciar uma nova etapa", define a estudante Paola Possenatto, 21, que aproveitou o passeio turístico às feiras de roupas e artesanatos do Centro para participar da celebração na Igreja da Sé - seguindo uma tradição forte na cidade gaúcha de Relvado, onde mora.

"Lá só temos cerca de 2.200 habitantes e a maior igreja é a católica, então tenho essa religiosidade forte", declara. O pároco da Catedral de Fortaleza, padre Clairton Alexandrino, ressalta aquela que considera a principal simbologia das cinzas: a fragilidade humana.

"Elas simbolizam a nossa finitude, para que nos despojemos da arrogância, do egoísmo, e, assim, nos purifiquemos para a ressurreição de Cristo", afirma. A origem da utilização do produto, aliás, vem dos registros da Bíblia católica, no terceiro capítulo do livro de Gênesis, versículo 19 - "Lembra-te que és pó, e ao pó tornarás". "São o sinal de transformação da nossa vida", completa o arcebispo Dom José Antônio sobre as cinzas, produzidas a partir das plantas que sobram no Domingo de Ramos do ano anterior, quando a Quaresma passada se encerra.

Renúncia

Outro forte símbolo desse período de "purificação" é a realização do jejum, prática forte entre os católicos e que "deve servir de remédio da alma", como alerta o chefe da Arquidiocese. "Jejum não é só ficar sem comer. É renunciar a tudo o que é egoísmo para fazer o bem. É abstinência de fazer reclamações, de demonstrar desânimo, de falar mal dos outros - significa deixar de fazer tudo para si para fornecer ajuda material ou espiritual aos irmãos", descreve, destacando a união entre as pessoas como caminho para restauração da fraternidade.

Campanha

"A fraternidade está sendo agredida. As facções, destruições e corrupções nasceram no coração de uma pessoa e se tornaram grandes espinheiros. Então é preciso superar a violência a partir do bem, do amor que temos pelo outro", declara Dom José Antônio, afirmando, ainda, que o sentido da Campanha da Fraternidade deste ano não é combater, e sim procurar meios para enfraquecer a falta de paz social.

"Repressão só aumenta a violência, seja em guerras, no tráfico, em assassinatos, no trânsito ou contra as minorias. Nós ouvimos a população para definir, e trabalhamos esse tema não só na Quaresma, mas no ano todo, para promover reflexão e estimular as autoridades a pensar soluções e políticas públicas".

Nesse sentido, o papel da Igreja Católica como Instituição ativa na sociedade, como define o pároco Clairton Alexandrino, é simples: promover mobilização. "A violência reside em estruturas e preconceitos criados pela sociedade. A campanha é para despertar a consciência coletiva, para que o povo reflita e se una para superar um estado que fere, diariamente, a fraternidade e o respeito", afirma.

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Para mim, é um período de conversão e abstinência, em que precisamos abrir mão daquilo que não é necessário. É um momento para repensar nossas atitudes e fazer caridade para aqueles precisam mais do que nós.

Walber Oliveira
Comerciante

Estes quarenta dias que vêm devem ser de mudança de vida, de abdicar das coisas que não fazem bem. Na quaresma, eu faço jejum, abstinência de algumas coisas de que eu mais gosto, como um sacrifício por Deus.

Adriana Barbosa
Fisioterapeuta

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