Milhares de peças cearenses perdidas

01:00 · 04.09.2018

Juazeiro do Norte. As chamas que destruíram o Museu Nacional na noite do último domingo (2), no Rio de Janeiro, também consumiram parte da história do Ceará. Especializado em história natural, o equipamento, que completou 200 anos em junho, colecionava mais de 20 milhões de itens de geologia, paleontologia, botânica, antropologia, zoologia, biologia, arqueologia e etnologia. Do território cearense, milhares de peças devem ter sido perdidas com incêndio.

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O Museu Nacional era uma das instituições que abrigava o material colhido durante a Comissão Científica de Exploração - a primeira expedição científica formada exclusivamente por naturalistas brasileiros - que percorreu o território da então província do Ceará, entre 1859 e 1861. Lá, haviam coleções de plantas, animais, minerais e outros artefatos. Estima-se que o herbário tenha mais 4 mil plantas cearenses colhidas pelo botânico Francisco Freire Alemão, chefe da expedição.

Tragédia

Segundo Karoline Viana, doutora em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o incêndio no Museu Nacional é uma tragédia para a memória brasileira e, particularmente, do Estado do Ceará.

"É uma perda inestimável. Apesar de não ser minha fonte primária de pesquisa, queria muito ter visto de perto este herbário. A materialidade é um elemento importante para o historiador. Dá para ter estudos sobre as formas de conservação, restauro", lamenta .

Além das coleções da expedição, o Museu Nacional coletava peças do Cariri cearense desde 1863. A maioria são fósseis encontrados na Bacia Sedimentar do Araripe, tanto em municípios do Ceará, como do Pernambuco.

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